Esportes

Meligeni: 'Quem faz o país é o povo'

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

Participando de um evento social no sábado (30), em Bauru, o tenista Fernando Meligeni, um dos principais personagens do tênis no País, falou sobre a popularização, incentivo e as dificuldades da modalidade, mas também sobre pandemia, empatia e a esperança de que o Brasil viva dias melhores.

Ele não se incomoda de ser chamado de embaixador da modalidade, embora afirme que este nunca foi seu objetivo. "Eu vou devolver em expertise o que o tênis me deu. Foi o que eu aprendi com o meu pai. Ele dizia que era feio morrer com o conhecimento sem dividir. Se isso for embaixador ou porta-bandeira do esporte, fico feliz. Mas a intenção é falar e cuidar do esporte, fazer com que continue e seja cada vez mais forte", diz.

Em sua opinião, as pessoas conhecem e respeitam mais sobre o tênis, mas como em outras modalidades ainda precisam de uma referência para aderirem. "Eu sou da época que quando a gente falava que ia ser tenista as pessoas perguntavam: 'E vai fazer mais o quê?' Hoje, as pessoas sabem quem está entre os 50 melhores do mundo. Mas, se não temos uma grande referência, não se fala do esporte no País", afirma.

POLÍTICA

Embora diga que não goste de falar sobre política, o tenista se posiciona, de acordo com ele, porque se sente isento. "Como não vivo da política e das leis (de incentivo), eu posso falar. Por isso digo que o Brasil precisa fomentar mais o Esporte".

Mas reconhece que o momento é difícil para a prática, devido aos custos. "Além de todos os problemas, outro é o dólar alto. 99% dos torneiros são na Europa e nos Estados Unidos. As pessoas estão falando cada vez mais que não temos tenistas, mas o investimento é muito alto". Para o esportista, o incentivo deve vir através de incentivos fiscais a todas as modalidades. "O governo não vive de imposto pago por raquete", alfineta.

PANDEMIA

O período mais intenso da pandemia de coronavírus foi muito duro com os profissionais que trabalham na modalidade. "Todos os professores que vivem de tênis fecharam. Todos os professores, de um dia para o outro, deixaram de ganhar dinheiro, mas as contas chegaram", lamenta.

Um desafio recente são as mudanças que vêm sendo implementadas na Educação, com o período integral, que vão impactar fortemente no Esporte de alto rendimento do Brasil, na sua opinião. "É impossível formar um atleta se os garotos de 10 ou 12 anos estiverem toda manhã e meio período da tarde na escola, se a escola não oferece Esporte. Vai acabar com o Esporte de alto rendimento no País", assegura.

Entre ser empresário, tenista ou comentarista de televisão, Meligeni diz que a última opção é a mais fácil. "Eu sou autêntico, mesmo que as pessoas não gostem. Amanhã, pode acontecer de eu ter que comentar sobre meus sobrinhos (Felipe Meligeni e Carol Meligeni) e vão tomar porrada se tiver que tomar porrada", garante.

A atuação mais difícil, garante, é ser empresário. "Amo este país, mas ele tem que ser mais tolerante e generoso. Muito se fala em empatia, mas eu vejo muito poucas pessoas praticando, principalmente na elite". No entanto, o tenista é otimista. "Eu entrava na quadra com os melhores do mundo e achava que ia ganhar, porque vou achar que o País não vai melhorar? Quem faz o país não são os políticos, é o povo", conclui Meligeni.

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