Paolla Oliveira, 40 anos, tem um gostinho do que é ser mãe de primeira viagem nas gravações do filme "Papai É Pop", que estreia na quinta-feira (11) nos cinemas de todo o Brasil.
E a atriz gostou tanto da experiência que confessa que deu vontade de aumentar a família. "Passa pela cabeça, ainda mais estando com tantas crianças maravilhosas no set, estando com pais e mães tão especiais como eu estive", analisa. "Não tem como a gente não pensar nisso. Não tenho planos, mas de verdade me atravessou de uma maneira muito especial. A maternidade, com seus desafios e seus aprendizados, não é distante. Ela está por aqui."
O diretor Caito Ortiz, pai de três, lembra que o fato de a atriz ainda não ter filhos foi um ganho para o filme: ela podia aprender na tela como seria segurar um bebê ou o que fazer quando a criança estava chorando. "Ela começa o filme assim", conta ele. "Foi uma descoberta todo o tempo", confessa a atriz.
Isso não significa que não houve preparação. Pelo contrário, Paolla tentou se cercar das experiências de mães próximas a ela para construir sua personagem, Elisa. "Eu fui pegando histórias, realidades, vivências, para fazer aquilo ser real" comenta. "O que estava escrito ali [no roteiro] eu sei que foi muito pesquisado, a gente sabe que aquelas situações acontecem, mas é bom quando você dá um pulinho na realidade."
Também fez uma pesquisa com médicos para tirar dúvidas que só uma mãe de primeira viagem poderia ter. "Eu perguntei para a minha médica se podia tomar uma taça de vinho, como tem no filme", lembra. "Também conversei com obstetras para saber como era [estar grávida], aonde doía a barriga", enumera.
O resultado é uma Paolla bem diferente da que o público se acostumou a ver. Sai o glamour dos tapetes vermelhos ou das produções da Globo e entra uma mulher descabelada e com olheiras, como boa parte das que precisam dar atenção ao filho nos primeiros meses de vida.
O diretor também destaca a liga da atriz com Lázaro Ramos, 43 anos, que vive o personagem Tom, par romântico de Elisa. O casal se dá muito bem até que a chegada da primeira filha muda tudo. O rapaz começa com pouca disposição para dividir as responsabilidades com a criança.
Lázaro confessa que teve seus momentos de Tom na criação de João Vicente, 11 anos, e Maria Antônia, 7 anos, seus filhos com a atriz Taís Araújo, 43 anos. "Não tive conversas muito longas com os amigos que já tinham experiência sobre paternidade", lamenta. "Então, eu era muito inexperiente na dinâmica do dia a dia, na participação, no jeito de fazer. Fui aprendendo no processo, o que também faz parte."
No entanto, o ator conta que também tem muitas diferenças com relação ao personagem. "Meu jeito de resolver os conflitos é totalmente diferente", garante. "Essa coisa de se colocar como um meninão e deixar o problema passar, eu não tenho. Sou exatamente o oposto. Eu sou o tenso, o sério, o que quer chamar para a DR, para conversar."
Marcos Piangers, cujo livro inspirou livremente o filme, gostou da escolha do ator para interpretá-lo nas telas. "O Lázaro é um Marcos Piangers muito melhorado", brinca. "Eu olho para o Lázaro como referencial do que é ser homem. Acho importante a gente ter referenciais, se não a gente fica nessa onda de achar que homem de verdade é o 007. E 007 é uma ficção."
Para o autor, pai de duas meninas, a paternidade já teve muitos avanços desde que sua primeira filha nasceu, em 2005. "Eu tinha alguns amigos que diziam assim: 'Eu nunca vou trocar uma fralda'. Falavam com orgulho, como se aquilo deixasse eles mais poderosos, mais homens", surpreende-se. "Eu escrevia meio solitário e constrangido sobre esses assuntos."