Altas temperaturas, secas, enchentes, sempre que a natureza se revela através de uma tragédia de proporções catastróficas ela retira nossa máscara e revela nossa insegurança e pequenez. Como é possível confiar na humanidade se, em pleno século XXI, homens e nações fomentam a guerra e a destruição. O que vemos hoje, com tanta frequência, é o efeito da falta de respeito para com os outros e para com nosso planeta. Esse nosso comportamento egoísta. onde todos procuram por sucesso e prosperidade a qualquer preço, é a causa da crise física e espiritual pela qual o mundo passa.
Nesse mundo, o sucesso e a prosperidade sempre têm efeitos colaterais, são baseados na compensação: ter uma coisa, mas, ser obrigado a renunciar a outra. O sucesso e a prosperidade verdadeiros acontecem quando nós alcançamos o que cada um de nós foi posto nesse mundo para alcançar. As coisas que buscamos nesse mundo - dinheiro, status, poder - são, por si só, nada. No fim, o único impacto real e duradouro que deixamos é quando influenciamos positivamente a vida de outras pessoas. Dinheiro, status e poder são ferramentas que precisam nos ajudar nessa missão, mas, não podem ser nosso objetivo final porque eles não duram. Tudo nesse mundo físico é dinâmico e sujeito a mudanças.
Para nos elevarmos acima da inconstância, da transitoriedade e das limitações do mundo físico - que tentam nos puxar para baixo - precisamos saber qual a nossa verdadeira missão por aqui. Precisamos optar por estar conscientes, estar presentes e sobretudo confiantes, para que não percamos as oportunidades diante de nós de aprender e transformar. Mas, como estar seguros e ter confiança em um mundo em que tudo é temporário? Como estar seguros e confiantes em um mundo mortal, um mundo que idolatra o passageiro, o sensorial e o tangível?
A segurança e a confiança precisam estar ligadas à permanência e a única coisa permanente em nossas vidas são nossas almas. Para passar por esse mundo físico seguros e confiantes é preciso estar conectado com a alma e ter consciência de sua existência. Mas, não basta ter consciência de sua existência, é preciso ouvi-la. À primeira vista isso parece difícil porque a alma invisível está presa em um corpo físico muito poderoso, que nunca deixa de nos chamar com todas as suas necessidades e tentações. No entanto, é nossa alma que precisa ser cultivada e cuidada para que nossa vida se encha de significados, dê frutos e possa ser percorrida com confiança e segurança. Só nossa alma sabe qual a nossa verdadeira missão. Para ouvir o que nossa alma quer podemos meditar, orar sozinhos, mas, é em um templo, numa mesquita, sinagoga, igreja ou até em uma reunião em família entre irmãos, onde encontramos pessoas que buscam as mesmas coisas, que essa tarefa pode ficar bem mais fácil. Bem mais fácil porque há um pré-requisito: conta uma história que, na porta de um templo, um sábio comentou com a pessoa que o acompanhava: "não consigo entrar. Esse lugar está tão cheio de orações, de desejos e lágrimas que não há espaço para entrar".
Surpreso e confuso, mas, consciente do poder e energia do sábio, seu acompanhante perguntou: "não é isso que procuramos em um lugar de oração? Não queremos que ele esteja cheio dessas coisas?" "Não", disse o sábio, "queremos que tudo isso vá para o mundo espiritual onde o Criador possa recebê-las. A razão para suas rezas não se elevarem é porque as pessoas estão rezando individualmente e não juntas. Não há união nesse lugar. Dessa forma, toda essa energia está ficando aqui e não pode ser liberada para ascender."
Nosso poder de mudar, de fazer a diferença, de caminhar com confiança, com segurança e de ter nossas preces atendidas é possível quando fazemos parte de algo maior do que nós mesmos.
O autor é professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica - Faculdade de Engenharia da Unesp Bauru.