A estudante de psicologia Giovanna Régis, 22 anos, participa de atividades voluntárias desde os 15 anos. Quando era adolescente, conseguia ir durante a semana em ações de caridade, mas com o ingresso na faculdade ela precisou manejar melhor o tempo - e não abre mão de ir aos locais que contribui pelo menos uma vez na semana. "Vai muito do perfil de cada um, é raro encontrar pessoas que estão dispostas a abrir mão do conforto, dos próprios compromissos para servir e ajudar outras." Felipe Lima, administrador da casa de repouso Luz Divina, defende a importância do trabalho nesse local. "A doação de tempo impacta principalmente no senso de relevância e importância das pessoas e no resgate de memórias afetivas dos idosos. Isso acaba mudando o dia deles." Para Lima, o trabalho voluntário pode ter mais valor do que dinheiro. "Para doar financeiramente a pessoa só precisa fazer um Pix em poucos minutos. É menos cômodo doar tempo, você precisa se envolver", compara. Giovanna Régis defende um maior engajamento dos jovens com o voluntariado. "Eu acredito que o problema [das iniciativas de doação de tempo] não é o fato de ser menos divulgado, mas sim que as pessoas não abraçam projetos como esses." É pensando nessa maior adesão da juventude em projetos sociais e na extensão do ambiente acadêmico para trazer impacto à população que o Centro de Voluntariado Universitário (CVU), fundado em 2011 por estudantes e professores, atua em oito núcleos (Bauru, Franca, Limeira, Ribeirão Preto e São Carlos, no interior de São Paulo, Maringá, no Paraná, Uberaba e Uberlândia, em Minas Gerais). Para estudantes que não têm experiência profissional e que desejam incrementar o currículo, se envolver com esse tipo de trabalho pode trazer capacitação e até mesmo um contato prático com a área que cursa. "Acreditamos que tudo que podemos oferecer pode ser direcionado para impactar a vida de terceiros, desde a nossa área de marketing até a parte de cultura [promoção de ações solidárias]. Nem sempre podemos ofertar muito, principalmente sendo universitários, às vezes a única coisa que temos é tempo e dedicação", explica a estudante de engenharia ambiental Muriel Ferreira, que integra a equipe da entidade há quatro anos.
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