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Fraude no Detran: Polícia Civil apura ação de hacker

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 2 min

A Polícia Civil de Bauru trabalha a fim de identificar o hacker que instalou um malware (programa malicioso) para se apropriar da senha de uma funcionária do escritório local do Detran-SP, permitindo o cometimento de uma fraude nacional milionária em diversos serviços do órgão, como baixas em comunicações de venda de veículos e até expedições indevidas de CNHs. O esquema foi desmantelado na última quarta-feira (21) com a deflagração da Operação Gravame, quando cinco pessoas foram presas - entre elas, um diretor do departamento na Capital - e 11 mandados de busca e apreensão foram cumpridos (leia mais abaixo).

As investigações, conduzidas pelo Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Secold) de Bauru, revelaram que os suspeitos atuavam em 18 Estados, realizando mais de 3 mil operações ilegais, conforme já noticiou o JC.

Os detalhes foram apresentados durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira (23) pelo delegado Gláucio Eduardo Stocco, titular do Secold. Também participaram Ricardo Dias, divisionário da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic); e Cledson Nascimento, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), unidades que integram os trabalhos.

Segundo Stocco, peritos do Instituto de Criminalística de Bauru descobriram que o programa capturava tudo que era digitado no teclado da funcionária, permitindo, assim, "ler" a senha quando fosse utilizada.

"O Detran nos informou ter ocorrido um acesso indevido nas máquinas em Bauru. Começamos a investigar a suspeita de alguém, aqui de dentro, estar inserindo fisicamente essas baixas. Mas, a perícia técnica identificou esse programa malicioso, evidenciado o acesso remoto nos computadores em São Paulo", explica.

No entanto, conforme o delegado, ainda não é possível afirmar se o malware foi instalado fisicamente em Bauru ou de forma remota. "Havia uma vulnerabilidade no sistema, então, esse vírus poderia ter sido enviado em algum momento".

DESCONFIANÇA

Como publicou o JC, o caso começou a ser apurado após a funcionária do Detran em Bauru não reconhecer procedimentos realizados com sua senha. Então, a diretoria do órgão fez um BO.

Ainda segundo Stocco, os criminosos capturavam senhas aleatoriamente, mas sempre de diretores do Detran, por todo Estado. Mais de 3 mil operações foram realizadas ilegalmente. Dessas, 1.113 eram desbloqueios indevidos de veículos.

Além de tentar identificar o acusado de hackear os computadores do órgão, a Polícia Civil trabalha, agora, para descobrir se há o envolvimento de mais pessoas na fraude.

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