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Outra vez, furtos de cobre causam prejuízos a comerciantes do Centro

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

Os furtos de fios de cobre, em Bauru, voltam a preocupar e a gerar prejuízos à população. Nos últimos dias, ocorreram invasões em estabelecimentos comerciais em áreas próximas da linha férrea, no Centro, e no entorno do cruzamento das quadras 1 da Azarias Leite e da Ezequiel Ramos.

Segundo um destes comerciantes, José Ferraz Sampaio Neto, que atua no segmento de ferramentas, os vizinhos e moradores estão apreensivos com uma nova onda de furtos, todos ocorridos em sequência. Ele cita que um posto de combustíveis e um estacionamento foram alvos na mesma semana. Ainda de acordo com ele, no mês passado também houve subtração de fios no endereço do antigo prédio do Instituto de Assistência Médica do Servidor Público Estadual (Iamspe), na esquina das ruas Primeiro de Agosto e Azarias Leite. Por lá, indivíduos invadiram por meio do telhado. A informação foi confirmada à reportagem por uma fonte. José Sampaio Neto diz ainda que os ladrões estão furtando a fiação e fugindo em direção à linha férrea.

Já o gerente do posto de combustíveis na quadra 1 da Ezequiel Ramos, Matheus Mendes, relata que no último dia 20 um furto na caixa de energia do local deixou o estabelecimento fechado por mais de 5 horas, resultando em prejuízos pelo impedimento de uso das bombas para abastecer os veículos. "Tivemos que fazer investimentos para inserir grades em diversos setores do posto, para coibir os crimes aqui", acrescenta.

O JC tentou conversar com o proprietário do estacionamento que formalizou denúncia por meio de boletim de ocorrência de furto na Polícia Civil, mas não o localizou.

ESCALADA

O crescimento desenfreado de subtrações deste metal acontece em nível nacional, motivado pela alta do produto, já que o cobre no mercado global mais do que dobrou de preço nos últimos anos, segundo a Associação Brasileira do Cobre (Abcobre). O item, muito cobiçado pelos ladrões, é valorizado por ser maleável e não ser corroído.

A guerra na Ucrânia e os reflexos da pandemia de Covid-19 têm impactado na em sua cotação. Atualmente, no mercado regular, o preço do quilo está transitando entre R$ 34 e R$ 37. Os fios que são levados das redes de telefonia, internet, iluminação pública e dos semáforos vão parar, na maioria dos casos, em ferros-velhos, legais ou clandestinos, que agem como receptadores. E são eles os principais alvos de operações da Polícia Militar, afirmou ao JC o tenente Fabrício Ishikawa.

IMPUNIDADE

A certeza de impunidade tem potencializado este furto específico. Segundo o policial da 1.ª Companhia, o problema com furtos para obtenção do cobre está recorrente em toda a cidade, com acentuados registros nas imediações da linha férrea que atravessa a parte baixa do Centro de Bauru.

Ainda segundo o tenente Fabrício Ishikawa, as polícias Militar e Civil estão combatendo o receptador, porque se não houver quem compre, os furtos irão diminuir. "A PM tem fiscalizado os ferros-velhos e estamos reforçando o patrulhamento. Na região do prédio do INSS, há o videomonitoramento e a fiscalização ostensiva. Temos feito flagrantes e repressão, efetuamos as prisões, mas quem comete este tipo de furto dificilmente fica preso e se torna reincidente", comenta o tenente Ishikawa.

Ele acrescenta que muitos imóveis que margeiam os trilhos de trem estão abandonados e os estabelecimentos que estão ativos, muitas vezes ocorre a dificuldade de as forças de segurança localizarem o proprietário e confirmar a procedência de itens levados por criminosos detidos em flagrantes.

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