A semana passada trouxe uma confirmação do que muitos já suspeitavam. O Ministério Público do Rio de Janeiro deflagrou a Operação Aposta Suja, mirando uma rede de plataformas que, segundo o Coaf, movimentou pelo menos R$ 1,4 bilhão em operações suspeitas entre 2022 e 2026. Sete mandados de busca e apreensão, três estados, e um recado claro: o mercado ilegal de apostas no Brasil não é marginal. É enorme. Para quem quer saber exatamente quais são as bets proibidas no Brasil e encontrar alternativas seguras, o caminho começa por perceber a dimensão do problema.
Os alvos da operação eram sites sem qualquer autorização federal que bloqueavam contas sem explicação, recusavam saques e desapareciam com os depósitos. O padrão é sempre o mesmo e vai ficar a conhecê-lo já de seguida.
O governo já tem os números, e são preocupantes
Em junho, o Ministro da Justiça Wellington César Lima disse publicamente que 25,2 milhões de brasileiros apostam em casas ilegais. Um em cada dez habitantes do país. As perdas estimadas chegam a R$ 38,8 bilhões por ano, com 80% associados a danos à saúde.
O perfil de quem aposta nessas plataformas também diz muito. Segundo o próprio Ministério da Justiça, 69% têm entre 19 e 29 anos, e 63% vivem com renda familiar de até dois salários mínimos. É o público com menos recursos para perder dinheiro numa plataforma que não vai devolvê-lo, e com menos ferramentas para perceber que foi enganado.
A SPA já bloqueou mais de 40 mil domínios irregulares. O ministro afirmou que entre 41% e 50% das plataformas ativas no país operam fora da lei. Os bloqueios acontecem, mas novos domínios surgem mais rápido do que as autoridades conseguem derrubar.
O que está acontecendo nos Estados Unidos não é muito diferente
Um relatório de agosto de 2026 da Gaming Compliance International, encomendado pela Campaign for Fairer Gambling, estimou que o mercado ilegal de apostas online nos EUA gerou US$ 97,4 bilhões em 2025. Isso representa 77% de todo o mercado online americano, e cresceu 45% num único ano, contra 23% do setor licenciado.
Para ter uma referência: a Associação Americana de Gaming registrou um recorde de US$ 78,62 bilhões em receitas para todo o setor legal em 2025, incluindo apostas desportivas e igaming. O mercado ilegal online, segundo o mesmo relatório, é maior do que isso tudo junto.
O que assusta os especialistas não é só a escala. É a dinâmica. Os estados que legalizaram apostas esportivas mas não o igaming online foram, paradoxalmente, os que registraram maiores perdas para operadores ilegais. Legalizar parcialmente parece ter normalizado o hábito de apostar sem redirecionar o apostador para o canal regulado.
Ismail Vali, presidente da GCI, tem uma explicação simples para isso: as plataformas ilegais não se escondem. Estão nos mecanismos de busca, nas redes sociais, nos grupos de mensagens, trocando de endereço mais rápido do que qualquer blocklist consegue acompanhar. "Mercado negro é um termo que o próprio crime inventou para si", disse numa entrevista recente.
Como identificar uma plataforma legal
Para o apostador brasileiro, a questão prática é essa: como saber se um site é legal? A resposta oficial passa pelo Ministério da Fazenda, que mantém a lista de operadoras autorizadas. As plataformas legais têm CNPJ registrado no Brasil, usam domínio .bet.br, e garantem saques via Pix com prazo definido. As irregulares não oferecem nenhuma dessas garantias. Contas bloqueadas sem explicação, bônus que nunca chegam, dados pessoais expostos e nenhum canal oficial para reclamar são os sinais mais comuns de que algo está errado.
É o cenário que a Operação Aposta Suja veio confirmar com nomes e mandados judiciais. O governo anunciou que os recursos confiscados das plataformas ilegais vão para o Fundo Nacional de Segurança Pública, e o Banco Central está supervisionando os bloqueios financeiros com as instituições de pagamento tendo 24 horas para executar as ordens da SPA.
Legalizar não basta
O que 2026 está mostrando, no Brasil e nos Estados Unidos, é que criar um mercado regulado não elimina o mercado ilegal. Derek Webb, o ativista britânico que financiou o relatório da GCI, diz que o mercado negro americano está tão enraizado que a legalização por si só não resolve. Tem de haver fiscalização coordenada, envolvendo bancos e plataformas tecnológicas. "É um trabalho de todo o governo se quisermos fazer alguma coisa", afirmou.
No Brasil, o caminho está sendo feito com operações policiais, bloqueios de domínios e asfixia financeira. O governo anunciou também medidas contra influenciadores que divulgam plataformas ilegais, reconhecendo que parte do problema está na forma como essas bets chegam ao apostador comum. É um começo, mas ainda insuficiente para um mercado ilegal desta dimensão.
A Operação Aposta Suja mostrou que as autoridades estão dispostas a ir mais longe do que apenas bloquear domínios. Mas enquanto milhões de apostadores brasileiros não souberem distinguir uma plataforma autorizada de uma irregular, o problema vai continuar crescendo em paralelo ao mercado legal, silenciosamente, e num ritmo que os números de 2026 já não deixam ignorar.
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