OPINIÃO

O retorno do técnico (2)

Por Jeremias Alves Pereira Filho | especial para a Folha da Região
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução

A selecinha não “desencantou”, apenas faturou o mínimo sobre o Haiti, valente time inacreditavelmente surgido num país destroçado pela instabilidade político-social a partir da deposição do “presidente” Bertrand Aristide em 2004. O Brasil “contribuiu” com cerca de 40 mil militares na polêmica Missão de Paz encetada pelo Conselho de Segurança da ONU por precisos 13 anos, durante os quais, entre uma violência e outra, nossos descontraídos soldados devem ter batido algumas peladas de futebol com os sofridos haitianos. Nesse particular, a seleção do Haiti, nas poucas vezes que cruzou com a do Brasil, sempre foi “freguesa de carteirinha”. Mas nessa Copa não “entregou o jogo” e quase assinalou histórico gol numa clássica bobeira da defesa nacional.

Fato positivo foi a estreia dos meninos Endrick e Rayan, que o Carletto estava “guardando para o momento oportuno”, jargão manjado de todos os preparadores que passam pelo escrete tupiniquim, enquanto o mundo todo bota a molecada em campo. O Endrick, de promessa a realidade, já deveria começar jogando e daria conta do recado.

Aliás, marcou um belo tento (ôpa!) que foi anulado pela chamada “lei do impedimento”, idiossincrasia esquisita que evita gols que poderiam ser marcados por qualquer jogador esperto que se mantivesse na “banheira”, isto é, entre o último defensor e o goleiro adversário. Lei que merece ser revogada o quanto antes, tendo a Fifa perdido ótima oportunidade nessa chamada maior Copa do Mundo de Futebol ao preferir combater o “jogo de cera”, manifesto comportamento antijogo já passível de cartão amarelo e vermelho na reiteração.

Uma estupidez esse tal de impedimento. O ataque livre e surpreendente pode tornar a peleja (arrrgh) mais dinâmica e atrativa, com maiores chances de gol, essência do futebol. No basquete não existe impedimento e grandes partidas são decididas por contra ataques fatais, ocasiões em que o jogador, quase sempre na tal “banheira”, enterra a bola no cesto para euforia dos torcedores, elevando os placares às alturas e com resultados imprevisíveis. A defesa que se vire para segurar o atacante atrevido. Não fosse essa bobagem, valeria o gol do Endrick e o resultado seria de 4 x 0. Pelo menos...

PS: crônica escrita antes do jogo contra a Escócia, o último da selecinha nesta fase, assunto que fica para a próxima semana.

É sócio de Jeremias Alves Pereira Filho Advogados Associados. Especialista em direito empresarial e professor emérito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Araçatubense nato

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