SEM DIPLOMACIA

Haitianos ficam detidos dez horas dentro de avião em Viracopos

Por Thiago Rovêdo | Especial para Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 1 min
Divulgação
Caso aconteceu no Aeroporto Internacional de Viracopos
Caso aconteceu no Aeroporto Internacional de Viracopos

Cerca de 120 passageiros haitianos que desembarcaram no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, na quinta-feira (12), passaram mais de dez horas retidos dentro da aeronave. O voo fretado partiu de Porto Príncipe, capital do Haiti, e pousou por volta das 9h, mas a liberação para desembarque só ocorreu às 19h.

De acordo com a Polícia Federal, 113 dos 115 passageiros apresentaram vistos humanitários falsificados durante o controle migratório. Em nota, a PF informou que a documentação irregular foi detectada no procedimento de entrada e que, conforme a legislação brasileira e normas internacionais, a responsabilidade pelo retorno dos passageiros ao país de origem é da companhia aérea.

A empresa responsável pelo voo é a Aviación Tecnológica, que afirmou que todos os passageiros estavam com passaportes válidos e devidamente identificados. Segundo a companhia, os haitianos pretendiam solicitar refúgio ou proteção migratória ao chegarem ao Brasil.

A Aviatsa repudiou a condução da operação pela Polícia Federal, classificando a abordagem como "incompatível com princípios básicos de dignidade humana e proteção internacional aos refugiados". A empresa também relatou que os passageiros ficaram sem acesso adequado a água e alimentação dentro da aeronave, e informou que estuda medidas legais para garantir os direitos dos imigrantes e da tripulação.

Passageiros passam a noite em sala de acolhimento

Após o desembarque, os haitianos foram levados para uma sala restrita no aeroporto, onde passarão a noite com acesso a banheiros, chuveiros e alimentação. Na manhã desta sexta-feira (13), terão início os procedimentos de admissão no país.

A organização Advogados Sem Fronteiras denunciou que profissionais de direitos humanos que estavam no local para prestar assistência jurídica aos imigrantes foram impedidos de acessá-los. A entidade alerta que, entre os passageiros, há pessoas com condições médicas preexistentes e crianças com visto de reunião familiar expedido por autoridade consular brasileira.

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