OPINIÃO

Bruxismo: será que a ansiedade é a única causa?

Por Roberta Bossolani | Dentista especialista em DTM
| Tempo de leitura: 3 min
Imagem gerada por IA
Bruxismo: será que a ansiedade é a única causa?
Bruxismo: será que a ansiedade é a única causa?

Quando falamos em bruxismo, quase sempre a primeira palavra que vem à mente é ansiedade. De fato, fatores emocionais como estresse e tensão estão frequentemente envolvidos. No entanto, a literatura científica é clara: o bruxismo é uma condição multifatorial.

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Mas o que isso significa?

Significa que não existe uma única causa. Diversos fatores podem atuar simultaneamente, ou seja, além da ansiedade podem ter várias outras causas acontecendo ao mesmo tempo como hábitos comportamentais, posturais, neurológicos e até relacionados ao sono.

O bruxismo pode se manifestar durante o sono ou em vigília, que é quando a pessoa aperta ou range os dentes durante o dia, e isso pode acontecer em momentos de ansiedade, stress, mas também em outros como alta concentração no trabalho, ou no trânsito, por exemplo. 

Ambos os tipos de bruxismo são prejudiciais, pois essa atividade muscular repetitiva pode levar ao desgaste da nossa estrutura mais mineralizada do nosso corpo, o esmalte dentário. E o que muitas pessoas não se dão conta é que, infelizmente, o esmalte é incapaz de se regenerar, ou seja, somente é possível devolver a estrutura perdida do dente com a realização de tratamentos estéticos dentários como resinas ou porcelanas. 

Dependendo da intensidade e frequência os danos podem ocorrer em poucos anos, e outras consequências podem surgir como trincas, fraturas, sensibilidade dentária, dores na ATM (Articulação Temporomandibular), dores na face, fortes dores de cabeça, mudança na posição dos dentes, entre outros.

Mas afinal, quais seriam as outras possíveis causas do bruxismo?

Problemas posturais também têm ganhado destaque nas pesquisas. Passamos horas no computador, no celular, muitas vezes com a cabeça projetada para frente. Essa posição sobrecarrega a musculatura do pescoço e pode aumentar a tensão na mandíbula. Em alguns casos, a pessoa não apresenta altos níveis de ansiedade, mas tem um padrão postural que favorece o apertamento.

Outro ponto importante é a qualidade do sono. Dormir mal, ter uma rotina desorganizada ou excesso de estímulos antes de deitar pode interferir no equilíbrio do sistema neuromuscular.

E ainda existem os chamados hábitos deletérios que são hábitos prejudiciais constantes e repetitivos como mascar chiclete por horas, roer unhas, morder o cantinho do lábio, morder canetas. Esses costumes diários sobrecarregam a musculatura da face e podem intensificar os sintomas.

Quando se pensa em tratamento, a placa de bruxismo costuma ser o primeiro passo e de fato, na maioria dos casos, ela é indicada e realmente ajuda na proteção dos dentes e da articulação, quando bem ajustada. Mas, se as causas não forem identificadas, o problema pode continuar se manifestando de outras formas.

Por isso, hoje o olhar profissional é mais amplo. É importante avaliar a rotina, postura, sono, nível de tensão e hábitos. Mas o paciente também tem um papel essencial nesse processo: começar a se auto observar, perceber seus padrões e estar disposto a fazer pequenas mudanças.

Porque, quando falamos de algo multifatorial, a solução também envolve cuidado, consciência e adaptação. E muitas vezes, são justamente as pequenas mudanças diárias que fazem a maior diferença na qualidade de vida.

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