Um problema silencioso tem comprometido a eficiência da rede pública de Andradina: o alto índice de pacientes que simplesmente não comparecem a consultas, exames e procedimentos previamente agendados. O chamado absenteísmo voltou a ser destaque durante a Audiência Pública da Saúde realizada na quarta-feira (25) e acendeu o sinal de alerta na gestão municipal.
De acordo com dados apresentados, mais de 15% dos pacientes com horário marcado nas unidades de saúde não aparecem e não cancelam com antecedência. O reflexo é imediato: vagas ficam ociosas enquanto outras pessoas aguardam atendimento, ampliando a fila e gerando desperdício de recursos do SUS (Sistema Único de Saúde).
A secretária municipal de Saúde, Maristela Marinho, foi enfática ao tratar do tema. Segundo ela, o absenteísmo representa não apenas prejuízo administrativo, mas também uma quebra na continuidade do cuidado com o paciente. “Quando há ausência sem aviso, perdemos tempo, estrutura e organização. E outro paciente deixa de ser atendido naquele horário”, destacou.
Os números reforçam a preocupação. No terceiro quadrimestre de 2025, foram registradas 379 faltas em consultas - índice de 15,33% sobre 2.473 agendamentos. No mesmo período, 267 pacientes deixaram de comparecer a exames, o que corresponde a 9,33% das 2.862 marcações realizadas.
Além do impacto logístico, a ausência injustificada pode atrasar diagnósticos, interromper tratamentos e até agravar quadros clínicos. Enquanto profissionais ficam com horários ociosos, a população segue reclamando da demora para conseguir atendimento em especialidades e exames.
A orientação da Secretaria é simples e direta: quem não puder comparecer deve avisar com antecedência. O cancelamento pode ser feito por telefone ou pelo aplicativo oficial da Prefeitura, permitindo que outro paciente ocupe a vaga disponível.
Mesmo com avisos constantes nas unidades e campanhas de conscientização, a adesão ao cancelamento prévio ainda é considerada baixa. A Prefeitura estuda novas estratégias para reduzir o problema e tornar o sistema mais ágil e eficiente.
Em um cenário de alta demanda, cada ausência sem justificativa representa uma oportunidade perdida — e um obstáculo a mais para quem depende exclusivamente da rede pública de saúde.
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