Quem achou que a recente regulamentação das apostas no Brasil não mudaria muito o cenário no país fica cada vez mais convencido do contrário. Notícias como a recente aprovação da Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados para uma proposta que libera apostas em rodeio e provas equestres mostram que as bets ganham cada vez mais corpo no Brasil.
E, embora essa proposta ainda vá passar por toda a tramitação e votação antes de se tornar uma lei, isso mostra que há pelo menos certa demanda para essas modalidades. Mas será que ela é grande o bastante para virar tendência? Quando o assunto é um site de apostas com odds mais altas, a maioria dos brasileiros ainda procura bons preços em futebol, tênis ou basquete. Então fica a dúvida: será que, em pouco tempo, também vai surgir um interesse real por palpites em rodeios e até por corrida de cavalos?
Você pode até não ser parte do público, mas não faltam fãs
Você pode nunca ter ouvido falar sobre apostas em rodeios - ou talvez não saiba que apostar em corridas de cavalo é uma das únicas atividades legais de apostas no país desde antes das bets, e que foi liberada mesmo antes do início da internet. Sim, na prática, você pode ir até jockey clubs espalhados pelo Brasil e fazer suas apostas no esporte conhecido como turfe.
Esses jockeys também podem oferecer sistemas de palpites online. Dessa forma, não há como duvidar que existe um público aqui: dados de 2024 mostram mais de R$ 253 milhões em volume de recursos em apostas no Jockey, por exemplo.
Já nos rodeios, ainda não existem apostas formalizadas oficialmente, mas sobram fãs: na maior festa de rodeios da América Latina, a popular Peão de Barretos, o público durante todos os dias pode chegar a 1 milhão de pessoas. Esse espaço, dividido entre 11 dias, pode ser um prato cheio para várias estratégias de marketing - é como inserir, nessa experiência, o ato de apostar a cada dia.
Já nos rodeios em geral, as estimativas colocam números como 9 milhões de fãs, considerando apenas os que vão aos eventos presencialmente. Assim, durante um ano, os rodeios podem movimentar até 10 bilhões de reais (ou mais). Já no público virtual, é comum que os eventos reúnam até dezenas de milhares de pessoas acompanhando.
Um mercado em potencial x outro já consolidado
O mercado de apostas em rodeios tem um potencial claro, mas, por enquanto, ainda precisa ser oficialmente aprovado para funcionar. Por outro lado, vale falar do caso da vaquejada, típica do Nordeste brasileiro, que já foi incluída oficialmente entre os esportes permitidos para apostas pelo Ministério do Esporte e pode servir de exemplo para os rodeios, predominantes no centro-oeste e Sudeste do país.
Já as apostas em turfe já têm um mercado tradicional, e com o projeto em tramitação, elas passariam a fazer parte do guarda-chuva da Lei 14.790/23, mudando também a dinâmica de apostas - no fim, tudo deve ficar mais fácil, intuitivo e atrativo para o usuário. Mas alguns dados ainda podem ajudar a selar essa questão: apostas em cavalos e rodeios teriam públicos? Segundo a pesquisa Bets 2025 do Grupo Globo, eles ficam assim no ranking de preferência dos brasileiros:
- Vaquejada e rodeio - em 17º de 19 posições, com 5% de preferência.
- Corrida de cavalo - em 9º das 19 posições, com 12% de preferência - vence NFL, sinuca, ciclismo, handebol e outras modalidades.
Essa e outras pesquisas mostram que, embora não sejam os preferidos, há sim público para apostas nessas áreas - e nenhuma casa de aposta pode ignorar isso.
Como o rodeio poderia entrar no jogo?
Aqui está o ponto-chave: diferente do turfe, o rodeio não nasce pronto para as apostas. A corrida de cavalos já tem formato esportivo definido, mercados históricos e hábito de palpite, o que facilita adaptar e escalar no ambiente online dos sites de apostas tradicionais.
O rodeio, por outro lado, é mais fragmentado, mistura esporte com entretenimento e ainda não tem mercados consolidados, embora não falte emoção e identificação por parte do público. Só que, na prática, seria preciso começar do zero: focar nas provas mais objetivas (como montaria em touros ou três tambores), criar regras claras, rankings e calendário, e só então introduzir apostas simples.
Interesse não vem do nada, se constrói
O interesse em apostas não surge sem o incentivo, ele precisa ser construído. Um típico exemplo: mesmo que a Fórmula 1 seja popular internacionalmente, ela é um esporte que nunca conseguiu gerar tanto interesse em palpites esportivos.
Já no caso da corrida de cavalos, há um mercado mais consolidado, enquanto o rodeio precisa saber estruturar seu mercado. Não é uma tarefa simples, mas com um bom trabalho, não há dúvidas de que boa parte dos brasileiros abraçaria a proposta.
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