A Associação Mata Ciliar fez uma publicação nas redes sociais na noite deste sábado, 14, lamentando a morte da anta resgatada em Andradina. Segundo a ONG, ela estava lactante [em período de amamentação] e se tornou símbolo de resistência no país.
Como já noticiado, a anta foi resgatada pela Polícia Ambiental de Castilho na quinta-feira, 12, em uma usina sucroalcooleira próxima a um canavial e foi transportada para a Associação Mata Ciliar, em Jundiaí. A operação também contou com o apoio do Hospital Veterinário de Andradina e o Zoológico de Bauru.
“Em que pese todos os esforços realizados pelas diversas instituições para salvar esse animal (...) pouco pudemos fazer para salvar a vida dessa anta, que como milhares/milhões de outros animais vem sendo carbonizados pelas chamas da insensatez, da ganância, do radicalismo ideológico, da ignorância, da loucura de alguns, da teimosia de muitos, dos políticos sem compromisso com a Natureza”, diz a entidade.
O mamífero pesava aproximadamente 200 kg e estava com o corpo inteiro queimado, principalmente as patas, ficou cego e tinha dificuldade para respirar. Segundo a publicação da ONG, ela “estava lactante, indicando que amamentava um filhote que, certamente, também morreu nessas queimadas. Além disso, Andradina (como ela foi nomeada) estava no início de uma gestação, o que nos dá uma triste lição de como estamos tratando as presentes gerações e comprometendo as futuras”.
A postagem cita que “a anta Andradina tornou-se o símbolo mais marcante da catástrofe ambiental que assola o Estado de São Paulo e todo Brasil”.
Na continuação do texto, explica que toda essa destruição causada por quem se considera “seres escolhidos” que despreza as outras formas de vida deve ser refletida pela sociedade, para se dar um basta a esta destruição ambiental".
Confira o emocionante texto da publicação na íntegra:
Luta pelo símbolo da resistência no país
“Hoje, a anta Andradina que estava sob nossos cuidados, morreu. O animal foi socorrido pela Polícia Ambiental em um canavial na região de Andradina, mas não resistiu à extensão das lesôes externas e internas sofridas. A anta Andradina tornou-se o símbolo mais marcante da catástrofe ambiental que assola o Estado de São Paulo e todo Brasil. A foto joga na nossa cara, toda verdade da hipocrisia com que nossa sociedade trata o Meio Ambiente. Em que pese todos os esforços realizados pelas diversas instituições para salvar esse animal, como a Polícia Ambiental de Castilho, o Hospital Veterinário de Andradina, o Zoológico de Bauru e a Associação Mata Ciliar, entre outras, pouco pudemos fazer para salvar a vida dessa anta, que como milhares/milhões de outros animais vem sendo carbonizados pelas chamas da insensatez, da ganância, do radicalismo ideológico, da ignorância, da loucura de alguns, da teimosia de muitos, dos políticos sem compromisso com a Natureza.
A anta Andradina é, realmente, um verdadeiro Símbolo, pois, mesmo com sua vida perdida, nos mostrou, após exames realizados, que estava lactante, indicando que amamentava um filhote que, certamente, também morreu nessas queimadas. Além disso, Andradina estava no início de uma gestação, o que nos dá uma triste lição de como estamos tratando as presentes gerações e comprometendo as futuras.
Toda essa destruição provocada criminosamente por aqueles que insistem em se considerarem “seres escolhidos”, desprezando toda e qualquer outra forma de vida, deve ser refletida pela sociedade, como um momento de se dar um basta a esta destruição ambiental que visa um crescimento econômico a qualquer custo. Neste momento de mudanças de base, com as eleições municipais chegando, devemos assumir o compromisso de “varrer” os políticos que apoiam esse tipo de pensamento.
Em seus mais distantes recantos, nos maiores ou menores municípios desse país, todos conhecem os candidatos que defendem as bandeiras da proteção e conservação ambiental e aqueles que só praticam atos voltados aos seus interesses pessoais ou de seu grupo econômico.
A Natureza está nos mostrando que sua “paciência” e capacidade de suportar esses desatinos chegou ao fim. A inércia dos governos e o descaso de grande parte do poder econômico também já foram demonstrados. Esse é o momento da sociedade civil, organizada e consciente, assumir seu papel e seu poder de escolha, que possamos ter um novo Brasil em 2025, começando por “limpar” definitivamente nossas cidades daqueles que tem levado nosso país a esse caos ambiental que estamos vivendo. Não podemos nos esquecer que são os políticos em nossos municípios que formam as bases daqueles que estão em Brasília alterando quase que diariamente a legislação ambiental.
Que a morte da anta Andradina e de outros milhares de animais em nosso país, nos últimos meses, não tenha sido em vão, pois se deixarmos passar essa oportunidade de mudanças, talvez não tenhamos mais tempo para reversão desse quadro.
Nossos mais sinceros agradecimentos a todas as instituições e pessoas que se empenharam ao máximo para tentar salvar esse magnífico animal que se foi, à Polícia Ambiental, à toda equipe do Hospital Veterinário de Andradina, ao Zoológico de Bauru e de São Bernardo do Campo, às equipes de colaboradores voluntários e estagiários da Associação Mata Ciliar de Araçatuba, Bauru e Jundiaí, que es desdobraram em atenção e cuidados desse animal desde seu transporte até seus momentos finais, ao motoboy que prontamente nos atendeu buscando insumos para aliviar as queimaduras do animal, e tantos outros parceiros que desses últimos dias, momentos intensos de solidariedade, companheirismo, profissionalismo, dedicação e sentimento de dever cumprido. Mesmo tendo perdido essa dolorosa batalha, certamente saímos mais fortes em nossa certeza de estarmos lutando do lado certo dessa guerra.
Todos notaram que começamos essa nota dizendo “a perda de um símbolo” e não a morte, porque um símbolo jamais morre. Um símbolo, como a anta Andradina, ganha os corações e mentes, fortalecendo os propósitos em fazer cada vez mais e melhor aquilo que acreditamos, e a nos esforçarmos em provocar as mudanças necessárias, para o bem, em nossa sociedade. Só podemos dizer obrigado a todos que participaram dessa luta.”
Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.