Infância

Mortalidade infantil cresce 28% em Araçatuba e ultrapassa a média estadual

Por Lauro Sampaio | Da Redação/Folha da Região
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação/Conass
Saúde aponta que pandemia de Covid dificultou o acompanhamento das gestantes para o tratamento em tempo oportuno de determinadas enfermidades
Saúde aponta que pandemia de Covid dificultou o acompanhamento das gestantes para o tratamento em tempo oportuno de determinadas enfermidades

A mortalidade infantil cresceu 28% em Araçatuba, de 2021 para 2022, e ultrapassou a média do estado de São Paulo apurada em 2021.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, a mortalidade infantil na cidade foi de 13.92 para cada mil nascidos vivos (de 0 até 1 ano de idade); em 2021, 10.91 para mil e, em 2020, 11.82 para cada mil crianças nascidas vivas. Com relação aos números do ano passado, significaria dizer que a cada mil bebês nascidos 28 morreriam.

Em números absolutos, segundo a pasta, Araçatuba registrou 26 óbitos de crianças nessa faixa etária em 2020, em 2021, 23 óbitos e, no ano passado, 28 óbitos.

Os totais de nascidos vivos foram de 2.199 (2020), 2.108 (2021) e 2.103 em 2022.

De acordo com a diretora do setor de Atenção Básica da Vigilância Epidemiológica de Araçatuba, Cristiane Camargo, a mortalidade infantil no município ficou acima da média do Estado, de 10.20 no ano passado, por causa da pandemia.

"O resultado está relacionado à pandemia, devido às dificuldades de acompanhamento das gestantes para o tratamento em tempo oportuno das enfermidades, como sífilis, e a busca ativa das puérperas e crianças devido as orientações de distanciamento social. Entretanto, 20% dos óbitos de crianças no ano passado no município foram de causas não evitáveis  (má formação do feto), sendo que nossa taxa referentes aos óbitos evitáveis é similar à do Estado, de 10.90”, afirma.

Programa para gestantes

Cristiane também menciona que todas as Unidades Básicas de Saúde de Araçatuba desenvolvem programas para gestantes durante todo o pré-natal, como enfermagem, consultas, psicólogos, nutricionista e palestras. "Quando a gestante é de alto risco, ela é acompanhada pela UBS de referência , AME e também no monitoramento. Ela explicou que a administração também desenvolve programas específicos para reduzir os índices de mortalidade infantil através do Comoitê Municipal de Prevenção e Investigação de Morte Materna através de programas de planejamento familiar.

" Foi implantada a oferta de DIU no pós parto e pós aberto durante a internação na Santa Casa, bem como a oferta de implante anticoncepcional para a população específica de maior vulnerabilidade. Além disso, nossa equipe faz o acompanhamento completo de todas as gestantes da cidade", finaliza.

Estado teve menor taxa em 2020

A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo ainda não dispõe de números oficiais sobre a taxa de mortalidade infantil do ano passado. Porém, divulgou que a taxa de 2022 foi de 10.90 para cada mil nascidos vivos (de 0 a 1 ano de idade).

Em 2020, ano do início da pandemia do coronavírus,  o Governo do Estado de São Paulo teve a menor taxa de mortalidade infantil da história. Pela primeira vez, a taxa alcançou o patamar de um dígito, chegando a 9,75 óbitos de menores de um ano por mil nascidos vivos.

“É gratificante e recompensador para todos nós, que atuamos na gestão pública, o registro de mais um feito inédito na história de São Paulo e do Brasil. Especialmente em relação a um ano tão difícil como foi 2020”, declarou o então governador Joao Doria.

Nas últimas duas décadas, o estado registrou uma queda de 42,6%. Em 2000, a taxa era de 17 por mil nascidos vivos. Os dados são da publicação anual realizado pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).

Os dados refletem a melhoria nas estratégias preventivas de assistência na rede pública de saúde do Governo de SP, como investimentos em saneamento básico, além de iniciativas rotineiras e campanha de imunização.

Ao longo dos últimos dois anos, a Secretaria de Estado da Saúde vem desenvolvendo ações compartilhadas com diversas áreas técnicas da pasta, além de parcerias com a Secretaria de Desenvolvimento Social por meio do Comitê Estadual pela Primeira Infância, o programa Saúde na Escola com a Educação e o programa Parcerias Municipais com a Secretaria de Desenvolvimento Regional.

Articulação

Além disso, a Secretaria de Estado da Saúde realiza articulação com os Comitês de Vigilância de Óbitos municipais e regionais; qualificação do pré-natal orientado pela linha de Cuidado da Gestante; qualificação ao parto e ao recém-nascido, por meio de processos de treinamentos específicos; apoio técnico para as regiões de saúde através reuniões macrorregionais com os pontos de atendimento da rede e Ciclo Gravídico Puerperal e Neonatal, incluindo Alto Risco; ampliação da rede de assistência às crianças vítimas de violências; ações de supervisão e apoio para as ações da rede estadual de Bancos de Leite de Humano (BLH).

“Está é uma marca histórica fruto de um trabalho conjunto e contínuo entre o Estado e os 645 municípios. As iniciativas e ações preventivas voltadas para a saúde da mulher e da criança fizeram com que São Paulo chegasse a um patamar único em sua história. O objetivo agora é ainda mais desafiador e vamos trabalhar para continuar diminuindo estes índices”, destaca o Secretário de Estado da Saúde, Jean Gorinchteyn.

Perfil das mães e doenças relacionadas ao óbito infantil

Considerando a idade da mãe, as principais reduções estão na faixa de 25 a 40 anos, com maior risco de morte antes do primeiro ano de vida nos casos de mulheres que deram à luz antes dos 19 e após os 40.

Cerca de nove a cada dez mortes infantis estão relacionadas a doenças originadas no período perinatal (entre 22 semanas de gestação até os 7 dias após o nascimento do bebê), malformações congênitas; doenças infecciosas e parasitárias, e do aparelho respiratório.

O período neonatal precoce, de 0 a 6 dias de vida, representa a maior proporção dos óbitos infantis, com 51% do total.

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