Evento com participação das Nações Unidas vai ajudar a coordenar os trabalhos
Atualmente, cerca de 68 famílias de outros países, somando mais de 100 pessoas – boa parte crianças – moram em Araçatuba e estão pedindo ajuda para continuar viajando ou para se estabelecer residencialmente na região. A maioria é oriunda da Venezuela. Mas, também, existem pessoas da Bolívia e Síria, por exemplo.
Os dados foram levantados pela reportagem da Folha da Região durante entrevista com a viceprefeita de Araçatuba e secretária de Participação Cidadã, Edna Flor. Ela está coordenando um trabalho que pretende unificar os esforços que hoje são feitos pela administração pública, igrejas e clubes de serviço para acolhimento desses migrantes. Atualmente, a Prefeitura local tem um comitê formado por servidores públicos para deliberar sobre a questão e que trabalha junto com a Secretaria de Participação Cidadã.
“Todos têm feito um trabalho muito bom, de ajuda humanitária e acredito que possamos reunir as forças em ações assertivas. Estivemos em contato com o Acnur (Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) e vamos receber representantes deles para nos orientar sobre o que é preciso ser feito”, disse ela.
O primeiro encontro neste sentido acontece hoje, das 14h às 17h, no Senac. O evento está aberto às pessoas interessadas em conhecer e se capacitar para a proteção de refugiados e migrantes. Amanhã, das 9h às 17h, acontecerá a segunda reunião, no mesmo local, para capacitação de servidores públicos.
Nesses encontros, estarão presentes representantes da Acnur, como a chefe deste serviço em São Paulo, Maria Beatriz Nogueira; a assistente sênior de campo, Juliana Tubini; a assistente sênior de proteção; Lyvia Barbosa, e a assistente júnior de pesquisa, Joana Lopes. “Tenho certeza de que vamos avançar muito nessa questão, principalmente na rede de acolhimento. Hoje, parte dessas famílias, apesar de estarem morando em hotéis, com ajuda de terceiros, ainda estão em situação de vulnerabilidade”, destacou a vice-prefeita. Segundo Edna, há algumas questões até de adaptação à alimentação que precisam ser sanadas.
“A nossa cesta básica tem itens como sardinha e farinha que não fazem parte da culinária deles. E também algumas pessoas criticam quando veem famílias inteiras pedindo no sinal, apontando para a presença de crianças. É também uma característica cultural. De os menores estarem sempre com os pais. São questões sensíveis que precisam ser tratadas com respeito. O importante é que estejamos, como sociedade, preparados para o acolhimento e melhor encaminhamento”, explica Edna, que também chamou a atenção para o caso de crianças que têm nascido na cidade e se tornam apátridas por não terem direito à cidadania brasileira, e também não serem registradas na nação dos seus pais.
Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.