A reportagem apurou que o saco de 50 quilos do material estava sendo vendido a preço entre R$ 35 a R$ 40 nas grandes lojas da cidade
“Estou pensando em parar as obras lá em casa. O cimento não para de subir. A cada dia está mais caro”. O desabafo é do auxiliar de farmácia Josué Belarmino Nogueira, que está fazendo um cômodo a mais e reformando uma área dos fundos de sua casa no bairro Umuarama. Ele é um dos moradores de Araçatuba que estão assustados com o aumento significativo do preço do cimento na cidade.
A reportagem da Folha da Região apurou que ontem o saco de 50 quilos do material estava sendo vendido a preço entre R$ 35 a R$ 40 nas grandes lojas da cidade, que vendem em média e grande quantidade. As lojas de bairro, que vendem até uma unidade por vez, estão comercializando o saco por até R$ 50. O cimento representa até 5% do total do preço de uma obra.
Segundo estimativas das lojas da cidade, o aumento médio nos últimos 35 dias chegou a 16%. O vendedor de uma das maiores lojas do ramo na cidade disse que muitos clientes têm reclamado do preço, mas ele explica que o insumo já vem sendo reajustado pelos fornecedores. Votorantim, Holcim, Intercement, Supermix e Cortesia enviaram avisos nas últimas semanas anunciando reajustes que variam de 10% a 16% de cimento, concreto e argamassa.
O Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) acumula alta de 11,5% nos últimos 12 meses e voltou a acelerar em março e em abril. O mês de maio também deve começar a refletir a subida de custos com mão de obra. Os trabalhadores de São Paulo, por exemplo, tiveram dissídio de 12,5% que começará a ser pago neste mês.
FRETE
As cimenteiras dizem que foi necessário compensar o aumento em seus próprios custos de produção e transporte. Segundo as empresas da área, o principal vilão do período foi o diesel, que encareceu os fretes. Mas há outros problemas, como a variação cambial.
Algumas fornecedoras também deixaram de trabalhar com vendas antecipadas às construtoras, prática que “trava” os preços negociados. Ou seja, todos os pedidos expedidos após a data de reajuste serão faturados com os preços novos (e mais altos).
Os comunicados contrariaram as construtoras, que veem não apenas repasse de custos, mas também ganho real das fornecedoras. A preocupação é que o bolso do comprador de imóvel não tem conseguido acompanhar o aumento nos preços das moradias.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), em maio, o índice de expectativa de novos empreendimentos e serviços, em todo o País, mostrou uma pequena queda do otimismo, ao cair 0,5 ponto, para 56 pontos. Da mesma forma, o índice de expectativa do número de empregados também registrou recuo de 0,5 ponto, para 56,2 pontos. "Apesar disso, o indicador está acima de 50 pontos, o que aponta para expectativas positivas e de crescimento", diz o boletim.
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