A edição de hoje da Folha da Região traz, como destaque principal, o grande comércio que existe entre os municípios da região e a Rússia e a Ucrânia; nações que estão imersas em uma crise militar e política. Como informa a reportagem, a região vendeu mais de 8 milhões de dólares para estes dois países somente no ano passado. É um volume grande de negócios, que apesar de terem o açúcar como carro-chefe, também envolvem tecnologia e outros produtos. As exportações representam emprego e impostos, que ajudam as prefeituras a investirem em setores como educação e saúde.
Neste mundo globalizado, qualquer movimentação do outro lado do globo acaba afetando outras economias. E a região de Araçatuba não está imune ao avanço dos tanques russos sobre Kiev.
Porém, além das dificuldades para manter estas exportações, por embargos, logística ou capacidade reduzida dos compradores, a região poderá ter um outro efeito colateral significativo. O Siran (Sindicato Rural da Alta Noroeste) já manifestou sua preocupação com um possível aumento dos preços dos insumos agrícolas. Os defensivos poderão ser os mais afetados.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avalia que o aumento do custo de produção é um dos maiores impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre a agropecuária brasileira.
A invasão da Ucrânia afeta o bolso de todos os moradores da região, seja pelos empregos, impostos ou aumento de preços.
O principal insumo utilizado na agricultura é o fertilizante. Grande parte dos (adubos) vem da Rússia, que é um dos maiores produtores globais. O impacto é significativo nos fertilizantes, caso haja desabastecimento ou aumento de preço dos principais produtos. Cerca de 20% dos fertilizantes do complexo NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) importados anualmente pelo Brasil vêm da Rússia.
Há efeitos também na agropecuária brasileira decorrentes do aumento dos combustíveis, em virtude do aumento do petróleo no mercado internacional pela importância energética do país. O setor é muito afetado pelo aumento do custo do frete, seja pelo escoamento da produção seja pelo transporte dos insumos agrícolas. Isso também tem impacto significativo no custo de produção, avalia a Confederação.
Outro ponto citado pela CNA como item que afeta o custo de produção da agropecuária é o fortalecimento do dólar ante o real. O dólar estava em tendência de queda e nesses poucos dias de guerra já ocorreu aumento. Como grande parte dos insumos agrícolas são importados, também pode haver aumento significativo.
O provável aumento do custo de produção para o setor de proteína animal, em virtude das elevações expressivas dos grãos utilizados na alimentação animal. O aumento das commodities certamente vai afetar o custo das cadeias pecuárias, seja avicultura ou suinocultura. O setor depende da ração. Esta guerra chega ao bolso de todos.
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