Série parte do levantamento de histórias e dados realizado pelo Movimento Mulheres Negras Decidem e pelo Instituto Marielle Franco
Dia 25 de julho é celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra Latina Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Por isso, essa data foi escolhida para o lançamento da websérie documental “Para onde vamos”, com exibição desde ontem (07), no Canal Brasil e na plataforma de streaming Globoplay.
Julho também, no dia 27, marca a data de nascimento de uma mulher negra e latino-americana que, com bravura e potência, cravou seu nome nas páginas da luta feminina no continente: Marielle Franco (1979-2018).
A socióloga e vereadora carioca foi assassinada a tiros numa emboscada ocorrida na noite do dia 14 de março, num caso que horrorizou o mundo - lembrando que nome do mandante ainda não foi elucidado, mesmo passados três anos.
WEBSÉRIE
Produzida durante a pandemia numa parceria da Fluxa Filmes e do Canal Brasil, a série tem três episódios e parte do levantamento inédito de histórias e de dados realizado pelo Movimento Mulheres Negras Decidem e pelo Instituto Marielle Franco, em junho de 2020.
Anielle Franco, escritora, esportista, palestrante, professora e colunista disse que foi realizada uma pesquisa ouvindo 254 mulheres negras, tentando entender, através do olhar delas, as perspectivas para um momento pós-pandemia. Daí o nome 'Para onde vamos'. As ativistas participaram da pesquisa com muito empenho, e assim surgiu a inspiração para a série.
“Os três episódios apresentam uma narrativa de ação, de potência, que tenta desconstruir, subverter espaços marcados por exclusão e pela violência", discorre, Anielle, que hoje dirige o Instituto Marielle Franco, organização sem fins lucrativos criada pela família da vereadora com o objetivo de "lutar por justiça, defender sua memória, multiplicar o legado e regar suas sementes".
Ela pontua, ainda, que, da empreitada da websérie, participaram Áurea Carolina (Minas Gerais), Elaine Ferreira do Nascimento (Piauí), Paula Beatriz de Souza Cruz (São Paulo) e Vilma Reis (Bahia).
A escritora também aponta que a série foi filmada com uma equipe 100% feminina, sendo que 80% dela eram mulheres negras. Para além dos resultados da pesquisa, ela tenta apresentar, nos episódios, um pouco da perspectiva positiva que vem através do olhar das mulheres negras.
“Através dessa pesquisa, a gente coloca as mulheres negras num lugar de protagonismo. Porque, infelizmente, a gente vive num país que ainda nos ignora, e que espera a gente ser assassinada para virar protagonista. Então, essa iniciativa chega com o objetivo de ecoar firmemente a nossa força, que, vale dizer, é muito ancestral", complementa Anielle.
MARIELLE
No dia 27, aniversário de Marielle, acontecerá o lançamento da HQ "Marielle Franco Raízes”, uma graphic novel que terá versão física e digital. Anielle também adianta que, na mesma data, deverá ser lançado um vídeo, bem como novas edições do Papo Franco.
"A HQ, na verdade, foi um dos primeiros projetos que pensamos, ainda em 2019, quando a gente ainda nem tinha o Instituto, na verdade. A obra chega para tentar atingir também outros públicos, não apenas o que votou na Mari. Caso das meninas negras de favelas e comunidades, que podem se inspirar nela (na sua irmã)", enfatiza Anielle.
A iniciativa é fruto de uma ação coletiva, em particular, empreendida por mulheres negras. "Na verdade, atualmente, no Instituto Marielle Franco, existem apenas duas pessoas não negras. E assim também foi na criação da HQ: design, diagramação, pintura, arte... Tudo foi feito por mulheres negras", situa.
SERVIÇO
A série vai ao ar com episódios inéditos todas as quartas, às 19h30, e há também reprises programas para quintas, 13h30, sextas, 15h30; e terças, às 7h. No dia 25 de julho haverá uma maratona a partir das 9h45. Além disso, todos os episódios estarão disponíveis no canal Globoplay e no streaming do Canal Brasil.
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