Cultura

Museu Virtual Rio Memórias completa dois anos

Por Redação |
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MEMÓRIA. Novas galerias contam a história do Rio de Janeiro por meio de várias perspectivas. (Divulgação)
MEMÓRIA. Novas galerias contam a história do Rio de Janeiro por meio de várias perspectivas. (Divulgação)

COMEMORAÇÃO Museu celebra aniversário com inauguração de três novas galerias em seu acervo. O Rio Memória é um projeto online do Rio de Janeiro

O Museu Virtual Rio Memórias completou dois anos, e para celebrar a data ampliou seu acervo com a inauguração de três novas galerias, as quais se somarão às quatro já existentes. A primeira das novas galerias, intitulada “Rio, Cidade Febril”, foi inaugurada na última quinta-feira (24) durante uma live transmitida pelo Museu Virtual.

No novo espaço há informações sobre as doenças e epidemias que assolaram a capital fluminense desde antes de sua fundação, como a varíola, que chegou com os portugueses e franceses e dizimou boa parte da população indígena local, e também passando pela gripe espanhola, febre amarela, a epidemia de AIDS, até a atual pandemia de Covid-19.

“Tudo isso é muito bacana a gente estudar e pensar, por exemplo, como a população lidou com todas essas epidemias e doenças e como os governos lidaram, em cada um desses momentos, com campanhas de vacinação totalmente bem-sucedidas, como a da poliomielite, da varíola. É interessante ver, a cada governo, como isso aconteceu”, destacou a diretora e curadora do museu Livia de Sá Baião.

A segunda das novas galerias, denominada “Rio, Cidade em Transformação”, tem seu lançamento previsto para o próximo mês, no dia 1º de julho, às 18h. O tema será o desenvolvimento urbano da cidade desde sua fundação, no Morro Cara de Cão, até hoje, passando pelo Morro do Castelo (que já não existe mais), e as ocupações dos morros de São Bento e da Conceição.

Já a terceira, “Rio Cinético”, será lançada em 8 de julho, e é uma parceria com a Cinemateca do MAM (Museu de Arte Moderna) e irá exibir curtas-metragens com imagens quase inéditas do Rio de Janeiro, com durações de 9 e 10 minutos.  

“A proposta é incendiar a memória das pessoas para mostrar como era o Rio. Tem imagens lindas do Passeio Público antes do Aterro do Flamengo; as pessoas andando nas ruas, os homens viajando de bonde de terno e gravata, chiquérrimos, totalmente diferente de como é hoje”, apontou a diretora.

PODCASTS

A partir de julho, conteúdos de algumas galerias começarão a ser lançados em podcasts. “A gente vai ter um podcasts a cada sexta-feira, com conteúdos das galerias”, disse Livia.

A primeira temporada do podcast Rio Memórias, com 6 episódios e lançamento prevsito para 15 de julho, terá informações da galeria Rio de Conflitos, que foi lançada em 2020. O primeiro episódo será sobre a Revolta da Vacina.   “A gente escolhe os episódios que acha que cabem no formato sonoro, porque tem temas que são mais difíceis de colocar em podcast”, complementou a curadora.

Os programas são resultado de uma rica pesquisa de texto e áudio que inclui entrevistas com pesquisadores e uma reconstrução sonora minuciosa da época. 

MOSTRA

A parceria com o MAM vai resultar também na Mostra de Cinema Rio Desaparecido, evento paralelo ao 27º UIA 2021 (Congresso Mundial de Arquitetos).

Serão exibidos três documentários, sendo um deles inédito, e haverá debates com historiadores, arquitetos e cineastas sobre as transformações urbanas ocorridas no Rio de Janeiro.

Os filmes estarão disponíveis entre os dias 15 e 20 de julho no Vimeo e os debates serão realizados nos dias 19, 20 e 21 do mesmo mês, com transmissão simultânea no YouTube do MAM, disponível e no YouTube do Rio Memórias.

A Cinemateca do MAM Rio vai disponibilizar os filmes Crônica da demolição e O desmonte do monte, que tratam, respectivamente, da demolição do Palácio Monroe, antigo prédio do Senado Federal no Rio de Janeiro, decretada pelo presidente Ernesto Geisel no período militar; e a história do Morro do Castelo, seu desmonte e arrasamento.

A Cinemateca Belga trará o inédito Nossos Soberanos no Brasil, que narra a visita dos reis da Bélgica ao Brasil em 1920, envolvendo as cidades de Rio de Janeiro, Petrópolis, Santos, São Paulo e Belo Horizonte, com planos aéreos de grandes paradas, desfiles, exercícios militares.

“Tem imagens do Instituto Butantan incríveis, imagens da Quinta da Boa Vista, no Rio, nunca vistas. O filme não estava digitalizado. A gente, junto com a cinemateca, bancou a digitalização do filme e vai trazer então esse filme inédito durante a mostra”, informou Lívia Baião.

HISTÓRIA

A curadora afirmou que a ideia do museu é contar as "histórias apagadas" do Rio de Janeiro, aquelas pouco conhecidas pela população em geral.

O Museu Virtual Rio Memória foi inaugurado em agosto de 2019 e desde seu início foi um projeto on-line, mas agora cresce em termos de alcance, visando atingir um número maior de pessoas, avalia a curadora.

Até este mês, o espaço contava com quatro galerias: Rio de Movimento, Rio Desaparecido, Rio de Sons e Rio de Conflitos. A primeira conta a história dos esportes no Rio, desde o frescobol, natação, remo, turfe, entre outros. O Rio de Conflitos, por outro lado, aborda os conflitos desde a Revolta da Vacina até os protestos de 2013.

Já o Rio de Sons une canções e barulhos, como o velho samba que toca em um botequim, o grito do ambulante que amola uma faca, o bloco de carnaval que passa na rua, o helicóptero que sobrevoa uma comunidade.

O Rio Desaparecido, por sua vez, fala das mudanças que acontecem na cidade do Rio, onde monumentos, edifícios e praças são erguidos e destruídos num piscar de olhos; profissões, lojas e hábitos desaparecem muitas vezes sem registros. Várias dessas narrativas foram recuperadas nessa galeria assim como a história de pessoas que tiveram suas vidas subtraídas de forma inesperada.

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