Cultura

O dia para todo mundo dançar

Por Redação |
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DANÇA Dia Mundial da Dança, celebrado hoje (29), é um convite a todos aqueles que desejam se expressar por meio do corpo. (Foto: João Francisco Tavares Kawasaki)
DANÇA Dia Mundial da Dança, celebrado hoje (29), é um convite a todos aqueles que desejam se expressar por meio do corpo. (Foto: João Francisco Tavares Kawasaki)

Dia Mundial da Dança, celebrado hoje (29), é um convite a todos aqueles que desejam se expressar por meio do corpo, envolvendo a música e os preceitos das artes cênicas

Bryan Belati
Araçatuba
pautasfr@gmail.com

“Só sei dançar com você, isso é o que o amor faz”, disse a cantora e compositora Tulipa Ruiz e uma de suas canções mais famosas. A dança tem o poder de captar e transmitir traços particulares de diferentes culturas através dos tempos.

Seja por meio de “trends” nas redes sociais, em festas, com a pessoa amada, no banho ou até mesmo sozinho no quarto, a dança em paralelo à música, socializa, diverte e anima o dia a dia das pessoas.

Hoje (29), é o dia em que se comemora o Dia Internacional da Dança, data criada em 1982 pelo CID (Comitê Internacional de Dança) da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).

A data homenageia Jean-Georges Noverre, o mestre do balé francês. O bailarino ficou conhecido por escrever o livro “Lettres sur la Danse” (“As cartas sobre a dança”, em livre tradução), uma das obras mais importantes da história da dança no mundo. O artista morreu em 1810.

Desde então, o dia 29 de abril tem sido utilizado para celebrar o movimento da dança em todo mundo, mas também fomentar a importância de se ter políticas públicas voltadas às artes da dança, principalmente àquelas que fazem parte do patrimônio histórico de determinadas regiões.

HISTÓRIA

Jesuítas do século XVI, assim como no teatro, utilizavam da dança para a catequização dos povos indígenas. Dentre as linguagens, então o toré, no Nordeste, e o kuarup, realizado pelos índios do Alto Xingu, no estado do Mato Grosso.

A dança sempre foi carregada de propósito, e por isso celebrava acontecimentos, marcava datas importantes, permeava rituais e até mesmo era utilizada na cura de doenças.

Com importante papel social, relacionado aos costumes dos povos, o movimento da dança proporciona a integração e a socialização, por se tratar de movimentos que podem ser realizados sozinho ou em grupo. A dança, por outro lado, não caminha sozinha, tendo a música como grande aliada.

Historicamente, o primeiro balé a se apresentar em terras brasileiras se formou no Rio de Janeiro em 1813, no Real Theatro de São João, hoje conhecido como João Caetano. Nessa época, algumas companhias visitavam a cidade e se apresentavam no Teatro Municipal da capital carioca, o que colaborou para o fortalecimento do balé clássico na cidade.

A bailarina russa Maria Olenewa, a primeira a integrar a Companhia de Pavlova, se instalou no Rio de Janeiro depois de vir ao Brasil a passeio.

Sua paixão pela cidade maravilhosa fez com que ela criasse uma escola de ballet clássico sob sua direção no próprio Teatro Municipal, oficializada em 1930. Anos depois, a escola foi renomeada à Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, e assim permanece até hoje.

Em 1956, foi criada a Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA), a primeira instituição oficial de ensino superior da dança no país, inicialmente dirigida pela bailarina polonesa Yanka Rudzka.

DANÇA

O bailarino, ator e produtor cultural araçatubense Caique Teruel, 27 anos, começou a estudar dança aos 11 anos, pois sempre quis ser ator. Ele encontrou na dança uma oportunidade de se formar como profissional das artes, visto que naquela época não existia nenhum curso profissionalizante de teatro em Araçatuba.

Na sequência, estudou Artes Cênicas no Senac Araçatuba e se tornou professor de teatro e dança contemporânea, na Escola Municipal de Dança e na Academia de Dança Stella Maris.

Caíque conta que, em sua visão, a cultura sofreu um impacto tremendo em decorrência da pandemia do novo coronavírus, principalmente por conta dos artistas não terem o hábito de se venderem publicamente, de não publicar os trabalhos, somente divulgar as datas das apresentações.

E agora com tudo acontecendo de forma on-line, não interessa somente o produto pronto. Pois, segundo ele, as pessoas gostam de saber como aconteceu o processo de criação daquilo, quais foram as etapas até chegar no resultado final. Por isso, o trabalho deve ser pensado de uma maneira muito mais pública do que já era.

“A dança foi uma das primeiras coisas no meu trabalho que se adaptou. A escola municipal de dança começou no terceiro mês da pandemia com aulas on-line, e não paramos nenhum momento até agora. Inicialmente foi uma surpresa, porque mesmo sendo jovem tenho dificuldade com os equipamentos”, relata o bailarino.

Ele ressalta que as aulas neste formato acontecem há mais de um ano e, por não saber quando poderão voltar presencialmente, o formato atual se torna muito desafiador para a dança.

Pois, segundo o professor, no teatro há o corpo, a voz, a cenografia e o texto, sendo uma composição No entanto, a dança é só o corpo. Neste sentido, “como é possível trabalhar as artes do corpo sem o toque? Sem a aproximação? Sem a sala de aula? Então a gente vê muitas questões levantadas e quebramos muitas barreiras”, reitera Teruel. 

O ator comenta que as descobertas são diárias, pois seus alunos estão cada dia em um espaço diferente. Em um dia, utilizam a sala de estar, no outro a garagem. E essa troca de cenário é desafiadora para o professor, que precisa repensar a aula para o espaço que o aluno tem disponível.

“O importante é fazer da maneira que dá, porque a sobrevivência da arte é assim. Se não fizermos, criamos um abismo, porque a sociedade precisa da arte".

BAILARINO Caique Teruel é ator, produtor cultural e professor de dança. (Foto: João Francisco Tavares Kawasaki)

ARAÇATUBA

A Escola Municipal de Dança de Araçatuba iniciou suas atividades no município em 2018. O projeto sucede o Ballet Municipal, que funcionava desde o ano 2000. Atualmente, o projeto oferece aulas gratuitas de jazz, dança do ventre, contemporâneo e Hip Hop. No início, o trabalho tinha um foco apenas no balé clássico.

De acordo com a Secretaria Municipal de Cultura, o programa começou com a capacidade de 100 alunos, e hoje atende cerca de 600.

A Prefeitura adaptou a forma de execução das aulas para o formato on-line, como forma de garantir o direito à formação cultural dos alunos matriculados no programa. Atualmente, o programa segue com inscrições fechadas, até a formação da turma de 2021.

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