Região

Denúncia de caos no PS de Birigui faz Câmara apertar cerco ao prefeito

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

Atendimento caótico denunciado por médico no Pronto-Socorro de Birigui chamou a atenção da Câmara Municipal, motivou questionamento de vereadores e até um requerimento de um deles feito ao Ministério Público, sugerindo o afastamento do prefeito Leandro Maffeis. Em tom de alerta com pedido de ajuda, o médico Thiago de Camilo Figueiredo Mattos trocou áudios com profissionais da saúde denunciando a precariedade e falta de equipamentos e medicamentos na unidade de urgência e emergência.

Após acesso aos áudios, os vereadores Osterlaine Henriques Alves, Cleverson José de Souza “Tody”, Andre Fermino, Vadão da Farmácia, Pastor Reginaldo, Wagner Mastelaro, Cabo Wesley e Paulo Sério de Oliveira, o Paulinho do Posto estiveram no local. Indignado, o vereador Cleverson Tody juntou troca de mensagens do médico Thiago com outros profissionais da saúde e enviou ao Ministério Público em documento com pedido de investigação em que sugere até o afastamento do prefeito da gestão da saúde municipal.

“Após visitar o PS, chamamos o médico Thiago de Camilo Figueiredo Mattos até a Câmara. Ele foi ouvido pela Comissão Permanente de Saúde e Saneamento. O Thiago esteve na Câmara, porém foi de forma informal. O Legislativo ainda não se manifestou, porém estamos apurando”, disse a reportagem a vereadora Osterlaine.

O vereador Wagner Mastelaro disse que o assunto é muito sério. “Temos que dar total atenção ao conteúdo, porém temos que apurar. Os áudios são fortes e exatamente por isso fomos no Pronto-Socorro no mesmo dia que recebemos pelo celular”, falou o vereador.

Ele citou a troca de gestão na unidade. “Acredito que o atual governo municipal não fez uma transição para trocar a Organização de Saúde que atua dentro do PS. Uma OS que fazia a gestão foi retirada subitamente e quem entrou já se deparou com um momento crítico da pandemia do coronavírus. Esse processo de mudança deveria ser mais racional”, opinou.

Segundo Wagner, durante seus esclarecimentos na Câmara, o médico Thiago disse que os medicamentos e equipamentos do PS vão acabando e não são repostos. “Falta, por exemplo, segundo o médico Thiago, antibióticos”, disse.

Em um dos áudios, o médico compara a saúde de Birigui com a saúde do continente africano. “O sistema tribal da África é melhor que o PS de Birigui. Lá, pelo menos, não tem maquiagem. Aqui é tudo maquiado”, diz o médico. “Isso é lamentável. Em Birigui acabou tudo. O pior é que tá morrendo muita gente, agora estão morrendo os mais jovens. Estão abandonando as pessoas para morrer lá no Pronto-Socorro”, traz um dos áudios do médico.

Em depoimento na Câmara, Thiago confirmou aos vereadores que gravou os conteúdos. “É meu direito me expressar, contar o que realmente está ocorrendo em Birigui”, disse.

Uma paciente confirmou à reportagem a situação dramática do PS. Um parente dela ficou internado no Pronto-Socorro de Birigui e necessitava de medicamentos de 6 em 6 horas. “Ele tomou de 12 em 12 horas para dividir os medicamentos com outros pacientes, porque o estoque estava baixo e depois acabou. Nossa família teve que comprar uma bomba de infusão para ele. Também tivemos que comprar medicamentos”, falou.

Indignado com os áudios do médico, o prefeito de Birigui, Leandro Maffeis, chegou a fazer um live em seu Facebook, criticando a denúncia. Na live, a administração informou que a situação no Pronto-Socorro Municipal não é diferente da realidade da região e do país, com sistema colapsado por conta da segunda onda da pandemia da Covid-19.

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