O período de isolamento social devido à pandemia do coronavírus tem atrapalhado o sono de muita gente. A mudança de rotina, a preocupação com a doença, medo e insegurança da nova rotina desencadearam o distúrbio do sono em muita gente, principalmente para que já possui diagnóstico de depressão e transtorno de ansiedade.
De acordo com a psiquiatra de Araçatuba, Pâmela Cristina Furlan Rodriguez, a procura por tratamento para distúrbio do sono aumentou 50% em sua clínica. Ela explica que tem pacientes com dificuldades para pegar no sono e também aqueles que dormem e despertam na madrugada, sem conseguir retornar ao sono. "As causas podem ser diversas. É importante investigar, pois a origem pode ser, principalmente, devido ao transtorno depressivo ou transtorno de ansiedade", explica. Sendo assim, as dificuldades para dormir acabam sendo a conseqüência de alguma dessas doenças.
Segundo a psiquiatra, geralmente, o tratamento para a depressão e ansiedade dura até um ano. "Casos mais graves precisam de mais tempo".
Entre as medicações prescritas estão a os hipnóticos ou benzodiazepínicos. "O uso dessas medicações deve ser acompanhado pelo médico e devem ser usados com tempo determinado", enfatiza.
Com a aumento dos casos desse tipo de distúrbio, a The Human Data Science Company, IQVIA, constatou que a compra de hipnóticos ou indutores do sono aumentou 21% no primeiro semestre de 2020, em relação ao mesmo período do ano anterior. Eles ajudam a tratar a causa da insônia .
"Se esse o problema de sono não for investigado, além da piora da qualidade de vida desse paciente, pode ainda trazer sérias consequências como irritabilidade, mal estar, desatenção, causando prejuízo no funcionamento do dia a dia no trabalho, e convívio social", relata.
Nem sempre problemas para dormir estão relacionados com doenças mentais. O pneumologista e especialista do sono, Dr Antônio Roberto Sandoval Barbosa, explica que é importante investigar o que pode estar prejudicando o horário de descanso.
Segundo ele, 70% das pessoas que possuem distúrbio do sono apresentam doenças mentais. Porém, os demais casos podem estar relacionados a distúrbios respiratórios, como apnéia, ou por distúrbios do movimento do sono, que são bruxismo e movimento periódico dos membros inferiores, que são quando as pernas se movimentam excessivamente durante a noite.
"80% desses casos estão relacionados à Síndrome das Pernas Inquietas, que é um desconforto que a pessoa sente nas pernas, tendo dificuldade de pegar no sono", explica.
Existem também pacientes que dormem, mas acordam com a sensação de cansaço excessivo, provocando a sensação de que o sono não foi de qualidade. "Essa é chamada de insônia paradoxal, quando o paciente tem uma quantidade normal de horas dormidas, mas, por uma alteração cognitiva, não se dá conta disso".
Ele explica que também existem as parassonias. "Sonambulismo, paralisia do sono e até pessoas que falam dormindo podem ter problemas com a qualidade do sono".
Independente da causa, o problema deve ser tratado e acompanhado. A privação do tempo de sono pode trazer sérios prejuízos para a saúde.
"O sono com má qualidade, ou a falta do sono, compromete várias coisas no organismo. Desde a parte emocional, humor, o rendimento físico, o rendimento n trabalho porque a pessoa fica cansada, sonolenta, muitas vezes comparada até com quadro de depressão. Como também pode comprometer a parte imunológica. O paciente que não dorme também tem mais facilidade de ganhar peso, sofrer alterações de memória e de concentração. Por isso, é muito importante ter um diagnóstico correto e fazer o tratamento correto", destaca o especialista.
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