FRANCISCO MORENO
“A Agricultura convencional, não está interessada em comida. Está sim preocupada em produzir dinheiro para conquistar mercado”. Com esta frase o Cientista José Lutzenberger, acusava que em 50 anos destruíram toda floresta subtropical úmida no Rio Grande do Sul e Paraná, para se plantar soja. Destruiu também os “colonos” nome dado lá aos camponeses.
Grandes corporações exploram ao máximo a área; que depois de totalmente esgotada, partem para outras regiões, e com correntes e grandes máquinas de tração, em minutos derrubam uma floresta. São grandes monopólios que só veem a produção agrícola como fonte de ganância cumulativa, defendida pela famigerada Revolução Verde, dos Norte-americanos.
Foi a Revolução Verde, que lançou os produtos transgênicos e as sementes geneticamente modificadas, mantendo as patentes e o monopólio delas. O mesmo se dá na pecuária com sua ração regada de antibióticos. Lá nos Estados Unidos, o sistema de confinamento é cruel. Apartam o bezerro logo no seu nascimento, enjaulam e o alimentam por uma chupeta presa no teto. Ao ponto de fornecer a carneiros leite sem ferro, para que sua carne fique mais branca. Ao gosto dos consumidores.
Contrapondo a isso tudo, está a Agroecologia, uma ciência agrária que utiliza conhecimentos tradicionais, garantindo a produção de alimentos saudáveis, sem defensivos ou fertilizantes sintéticos. Aderida por Movimentos políticos e sociais, contrários à Revolução verde.
A Agroecologia, é o principal motivo que fixa grupos de pessoas na zona rural. Contribuindo assim, na solução de questões sociais, protegendo a biodiversidade, otimizando o ecossistema como um todo. Ou seja, maximiza a produção da terra, com tecnologias e ferramentas economicamente eficientes e socialmente justa.
A Agroecologia se opõe à monocultura, aos adubos químicos, a alta mecanização; à concentração de grandes propriedades e exploração do trabalhador rural. Motivo pelo qual se apresentam sempre ligadas em Associações e Cooperativas. É, portanto, considerado como exemplo de desenvolvimento sustentável e melhor modelo para se aplicar a agricultura orgânica.
Atualmente, utilizam a Agroecologia, para recuperar o solo e a regeneração de área degradada que a agricultura convencional destruiu. Segundo, o Dr. Mauricio Ventura da UEL, o manejo na Agroecologia, fixa o carbono no solo, controlando os efeitos das mudanças climáticas e do efeito estufa. Outro fator que importa muito é na restauração de nascentes e revitalização do lençol freático.
Felizmente a Agroecologia, foi abraçada ela Agricultura Familiar e está revertendo aos poucos o êxodo rural; conforme dados da Embrapa, pois nas últimas décadas do século passado, foram 30 milhões de pessoas que tinham deixado o campo.
Fato é que a Agricultura Familiar, está centrada em 24% da área plantada, fornecendo 70% dos produtos consumidos no país, gerando 80% dos empregos no meio rural. O restinho, por conta do Agronegócio que recebe muito mais incentivos e créditos Federal, inclusive dos governos Lula/Dilma, na época, em 2014, recebeu R$ 156 bilhões do Plano Agrícola e Pecuário. Ao ponto que somando todos programas a Agricultura Familiar não passou de 20 bilhões.
Francisco Moreno é Membro do Movimento Laudato Sí
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