Slide

Sem comprovação de resultados, OMS ainda não vai recomendar vacina russa

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Sem os resultados de ensaios clínicos das fases 1, 2 e 3, a OMS (Organização Mundial da Saúde) não recomendará a vacina russa, afirmou nesta terça (11) Jarbas Barbosa da Silva Jr, diretor-assistente da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde).
Segundo ele, a OMS ainda não recebeu do governo russo informações técnicas sobre a vacina que registrou e pretende começar a utilizar ainda neste mês. A organização está em contato com as autoridades russas para discutir procedimentos de pré-qualificação.
"Uma vacina só pode ser aplicada em qualquer lugar do mundo depois que realizar os ensaios clínicos das fases 1, 2 e 3 e comprovar sua segurança e sua eficácia", disse o diretor.
Em acompanhamento feito pela OMS sobre as dezenas de vacinas atualmente em desenvolvimento, aparecem resultados apenas para a fase 1 do produto russo.
Segundo Barbosa da Silva, além de concluir os ensaios, eles precisam ser analisados pelas autoridades regulatórias dos países em que a vacina pretende ser comercializada.
O diretor da Opas afirmou que a OMS só pode pré-qualificar e recomendar qualquer produto e adquiri-lo por meio do fundo rotativo de vacinas depois de analisar todos os dados.
"Numa emergência de saúde pública há processos para uma uma avaliação mais rápida, mas apenas com a garantia de eficácia e segurança", afirmou Barbosa da Silva.
Segundo ele, o anúncio do estado do Paraná de que fez acordo para produzir a vacina russa mostra uma intenção relevante, mas, na prática, só terá efeito depois que os ensaios clínicos foram analisados.
"O esforço de buscar aumentar a capacidade de produção para uma futura vacina é importante, mas qualquer vacina ou produtor tem que seguir essa metodologia, e além da segurança informar o grau de eficácia. Não existe vacina 100% eficaz para nada", afirmou.

PARANÁ

O governo do Paraná anunciou que vai assinar um acordo com a Rússia na quarta-feira (12) para a produção de uma vacina contra o novo coronavírus.
De acordo com Jorge Callado, presidente do Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná), a previsão inicial é que a imunização esteja disponível no segundo semestre de 2021.
"É importante não queimar etapas, e a investigação [científica] é fundamental agora. Como o termo prevê estudos e validações, não vejo a possibilidade de atrasos", disse Callado ao canal de notícias GloboNews nesta terça-feira (11).
Segundo o secretário da Casa Civil paranaense, Guto Silva, o acordo bilateral inclui transferência de tecnologia para produção da vacina e possibilidade de importação e distribuição da imunização criada pelo país europeu para a América Latina.
Apesar das conversas avançadas entre Rússia e o governo paranaense, para poder ser aplicada no Brasil, a vacina precisa seguir os protocolos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que incluem prévia testagem na população.
"Como os russos anteciparam [o registro] vai ficar essa correria para poder ter acesso à tecnologia. O que assinamos amanhã é um primeiro passo para o Paraná se tornar polo na relação com a Rússia para poder produzir, vacinar, testar", afirmou o secretário.
Após a assinatura, será criado um grupo de trabalho no Tecpar para que o instituto russo tenha acesso ao protocolo brasileiro para autorização da vacina no país.

Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários