Araçatuba

ENTREVISTA: Dilador sobre ele mesmo: ‘Dou nota 8,5’

Por Redação |
| Tempo de leitura: 7 min

Falando como pré-candidato à reeleição, o prefeito de Araçatuba, Dilador Borges (PSDB), afirma em entrevista exclusiva à Folha da Região que merece “nota 8,5”, destaca pontos fortes e fracos da sua administração, enumera desafios e avalia a relação do Executivo com a Câmara de Vereadores. “Tem espaço para melhorar”, diz o tucano, que também vê a crise do coronavírus como uma justificativa para adiar o pleito municipal. Unificar as eleições (municipais, estaduais e federais) “geraria economia”, ele diz, acrescentando que, neste momento, preservaria a saúde das pessoas.

“Quero que a operação apresente logo o relatório final e se achar algo, que puna”, diz Dilador, ao comentar as investigações da Operação #TudoNosso”, da Polícia Federal, sobre supostos desvios de recursos públicos da Prefeitura em contratos fraudulentos com empresas que seriam ligadas ao sindicalista José Avelino Chinelo, não vão influenciar no pleito municipal. “Ando de cabeça erguida e não vou compactuar nunca com situações erradas”, afirma.

De 1 a 10, qual nota o senhor dá para a sua administração? E por quê?

Dou nota 8,5, de coração porque tem espaço para melhorar. A gente entrou na política para fazer a coisa que a gente acha certa. Aplicar o dinheiro público de forma responsável. Assumimos com uma dívida que chegava a quase R$ 50 milhões, com uma surpresa atrás da outra e dívidas com prazo imediato e curto nas áreas de saúde e assistência social e até precatórios. Obras, como unidades de saúde, foram inauguradas sem uma agulha dentro e o pronto-socorro chovia dentro.

Então, hoje estamos com as contas em dia e construímos escolas, unidades de saúde e temos um pronto-socorro com pediatra 24 horas e todas as especialidades, em um prédio adequado. A pessoa é atendida a qualquer hora do dia ou na noite, faz todos os exames e sai com o remédio nas mãos. Ainda asfaltamos bairros inteiros e as ruas têm manutenção.
Por isso, faço uma avaliação positiva. Claro que não foi possível fazer tudo, como a nova rodoviária, o parque no zoológico e resolver o imbróglio do Mercadão. Nos faltou isso.

Qual foi o maior acerto do governo Dilador? Aponte um específico.

Foi tratar o serviço público com responsabilidade. Nossos secretários e cargos não são preenchidos para agradar amigos e aliados. Temos três coronéis da Polícia Militar cuidando de pontos estratégicos, como chefia de gabinete, corregedoria e licitação. Os servidores que se destacam em suas funções foram alçados a cargos de chefia por mérito. Este ambiente profissional nos deu um ambiente que nos levou a conquistar o respeito das pessoas e dos fornecedores.

Também fizemos um trabalho de valorização dos servidores, criando um ambiente propício para o exercício das funções. Tínhamos servidores no setor de obras, por exemplo, que se sentiam humilhados no local de trabalho e na sociedade. Trabalhamos isso com eles e hoje se sentem bem. Até casos de alcoolismo diminuíram.

Meu maior acerto foi este, conseguir fazer uma administração com zelo e respeito, tanto na parte financeira, quanto na parte humana. E isso gastando menos com cargos em comparação com governos anteriores.

Qual foi o maior erro? Aponte um específico.

Volto a falar novamente dos três compromissos que não consegui terminar: a rodoviária nova, o parque no zoológico e o mercadão. Eu sou um homem que faz compromisso, porque este tem data para ser realizado. Promessa qualquer um faz, porque é bonita e fácil. Mas como trabalho com compromisso, estes que cito como uma forma de prestar contas para os cidadãos, que são meus patrões.

A rodoviária depende da liberação do espaço, que está ao lado da rodovia Marechal Rondon (SP-300) e que pertence ao governo federal. Estive pessoalmente com o vice-presidente Hamilton Mourão, que apadrinhou nosso projeto. Ainda aguardamos a documentação.

Já o parque não pode ser feito. Primeiro porque o zoológico nosso estava totalmente irregular, não tinha nem escritura. Passamos anos travados na burocracia das leis ambientais e de propriedade privada para regularizar. Agora está tudo certo, mas há uma demanda financeira grande que neste momento não podemos assumir. Vamos priorizar a construção de escolas e manutenção de vias, por exemplo.

O Mercadão foi estruturado legalmente com a posse de prioridade aos ocupantes dos boxes de atendimento. Temos hoje duas dúzias de ações judiciais de pessoas que têm o direito de posse. Conseguimos, no ano passado, R$ 4 milhões do governo federal para reforma completa, mas a lei não permite investimento público em prédio privado. Perdemos o recurso por causa destes entraves.

Qual é o maior desafio do governo até o fim deste mandato?

Manter os investimentos e os salários dos servidores em dia mesmo com a queda brusca de arrecadação. Os municípios, assim como as empresas, não têm uma máquina de dinheiro. É matemática pura. Vamos trabalhar para que possamos superar.

O senhor é pré-candidato à reeleição?


Já coloquei meu nome à disposição do meu partido, o PSDB. Se o grupo entender que mereço continuar com nosso projeto, serei sim candidato. E já conversei com nossa vice-prefeita Edna Flor, que é o do Cidadania. Temos um trabalho juntos que deverá continuar, se assim nossos partidos e a sociedade quiserem.

O senhor é favorável ao adiamento da eleição por causa da pandemia do coronavírus?

Sempre fui a favor da unificação das eleições, isso geraria mais economia para os cofres públicos, como também sempre fui contra a reeleição. Em relação ao adiamento, isso tem que ser uma decisão dos órgãos da saúde, não podemos colocar em risco a saúde da população.

Até que ponto a chamada Operação #TudoNosso, da PF, que investiga fraudes na Prefeitura, pode influenciar nas eleições municipais?

Primeiro, quero deixar claro que respeitamos desde sempre nossa Polícia Federal. Naquele dia, quando os policiais chegaram eu já estava aqui. Era bem antes das 7h da manhã. Eu costumo chegar bem cedo. Eu abri a porta para eles e deixei todos à vontade. Eu tinha uma viagem marcada e fui, tranquilo. Só voltei quando me disseram que era preciso eu estar aqui para ajudar.

Sabe, no dia da operação falaram que a dona Edna, meu Deus, uma mulher religiosa com trajetória linda nos projetos sociais, e eu, um cara que saiu da fazenda, estudou com dificuldade por causa da dislexia, me formei em Direito e me tornei empresário, éramos facilitadores da contratação de empresas que depois a Câmara e o Tribunal de Contas provaram que não tinham nada de errado.

A gente tem família, filhos e amigos. Quero que a operação apresente logo o relatório final e se achar algo, que puna. Mas acabou que nem a dona Edna, nem eu, até agora, fomos sequer indiciados. Ando de cabeça erguida e não vou compactuar nunca com situações erradas.

Como o senhor define o relacionamento do Executivo com a Câmara Municipal?


Temos uma relação muito boa, cordial, pois todos querem o mesmo, que é o bem para Araçatuba. Sempre tivemos uma relação de olho a olho, nos momentos difíceis, inclusive, como mudanças de tarifas. Os vereadores são a voz do povo e temos que ouvi-los. E eles têm me ouvido sempre, também. É bom porque não há relação de subserviência entre os poderes. A democracia para concordar e discordar é fundamental, sempre.

O que o senhor faria de diferente para enfrentar a pandemia do coronavírus, independentemente dos decretos do Estado?

Não teria fechado tudo, de uma vez. Seria melhor ter fechado primeiro a capital e agora o Interior. Eu respeito o decreto do Estado, pois sou um legalista. Mas, eu teria criado protocolos rígidos de acesso aos serviços e lojas, mas manteria a economia girando. Não é porque governador (João Doria) é do meu partido (PSDB) que tenho que concordar sempre. Mas respeito e cumpro.

O que o País deve fazer para a retomada econômica pós-covid?


Temos que ter união entre os poderes e criar incentivos para a iniciativa privada. Os geradores de empregos e renda precisam estar seguros e encontrar um ambiente favorável para investimentos. Os trabalhadores precisam ter suas rendas. No geral, espero que possamos ser uma sociedade mais consciente de que somos a união de todos.

Como o senhor define o governo Bolsonaro? Vê motivos para impeachment?

Há um clima de conflito que não favorece ao país, interna e externamente. Sobre impeachment, há de haver um fato que leve a isso.

FRASES

“Quero que a operação (#TudoNosso) apresente logo o relatório final e se achar algo, que puna”.

“Os municípios, assim como as empresas, não têm uma máquina de dinheiro. É matemática pura”.

“Não teria fechado tudo, de uma vez (na pandemia). Seria melhor ter fechado primeiro a capital e agora o Interior”.

“Sempre fui a favor da unificação das eleições, isso geraria mais economia para os cofres públicos”.

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