Araçatuba

Sidney Fernandes: Semeadura e colheita

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Chamava-se Fleming e era um agricultor escocês pobre. Um dia, quando trabalhava para o sustento da família, ouviu um grito de socorro vindo de um terreno pantanoso próximo. Largou as alfaias e correu para o pântano.

Enterrado em lama até à cintura estava um rapaz terrivelmente assustado, que lutava para se libertar. Fleming salvou-o do que teria sido uma morte horrível.

No dia seguinte, uma carruagem ricamente decorada parou na pequena propriedade do escocês. Um fidalgo, elegantemente vestido, saiu e apresentou-se como o pai do rapaz que o agricultor havia socorrido.
— Quero recompensá-lo. Salvou a vida do meu filho.
— Não, não posso aceitar qualquer pagamento pelo que fiz.
Esta foi a resposta de Fleming, recusando a oferta. Nesse instante, o filho dele assomou à porta de casa.
— É o seu filho?
— Sim.
— Proponho-lhe um acordo. Deixe-me levá-lo e dar-lhe uma boa educação. Se o rapaz sair ao pai, tornar-se-á um homem do qual se poderá orgulhar.

E assim fez. Anos mais tarde, o filho de Fleming formou-se no Hospital-Escola de St. Mary, em Londres, vindo a ficar conhecido em todo o mundo como Sir Alexander Fleming, o descobridor da penicilina. O nome do nobre? Randolph Churchill. O do filho? Winston Churchill.

Histórias como esta, não exatamente confirmadas por memórias pessoais, resgatam a necessidade de os homens serem solidários, generosos e fraternos, uns para com os outros. Esse é o caminho indicado há mais de 2000 anos, por um meigo nazareno, como o único capaz de trazer paz à Humanidade.

Verdade incontestável ocorreu em 1928, quando Alexander Fleming descobriu – ao observar uma cultura de bactérias que ia desinfectar – a presença de um bolor capaz de matá-las. Após 22 anos de dedicação à bacteriologia, ele havia encontrado a penicilina, o primeiro dos antibióticos e que salvou milhões de vidas. O mais impressionante foi o modesto comentário sobre sua descoberta: “Não inventei a penicilina. A natureza que a fez. Eu só a descobri por acaso”.

Acaso, sorte, persistência, preparo ou, como diria Emmanuel, fruto da contribuição pessoal de homens e mulheres que se dedicaram no mecanismo das circunstâncias?

Muitos de nós passamos pela Terra pelas mesmas recapitulações de vidas anteriores, simplesmente porque estamos mais preocupados em colher do que semear.

Fleming, Churchill e muitos outros luminares fugiram da sementeira indesejável, esqueceram-se de seus prazeres e vidas pessoais, afastando-se do círculo vicioso e inaugurando a era do círculo virtuoso, porque dedicaram-se ao bem da Humanidade.

De nossa parte deverá haver, a cada dia, a mesma persistência, o mesmo cuidado e a mesma dedicação, para que a nossa sementeira, que é livre, seja a melhor possível, porquanto, como todos sabemos, a colheita será obrigatória.

Fiquemos com a síntese de toda a obra cristã, exarada por Jesus, nas anotações de Mateus: “Tudo o que quiserdes que os homens vos façam, fazei-o, assim, também a eles”.

Sidney Fernandes é escritor e dirigente no Centro Espírita Amor e Caridade, em Bauru. Descreve esta Face Espírita/Ano 12 para publicação na Folha da Região.

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