Para conscientizar os homens sobre a importância de se cuidarem, o mês de novembro é internacionalmente marcado pelas ações relacionadas ao câncer de próstata e à saúde do homem, devido a sua comemoração oficial no dia 17. É uma maneira de proporcionar um alerta aos homens, de que a prevenção é o melhor caminho para se ter uma vida mais saudável e que não é necessário esperar o aparecimento de problemas graves para ir à busca de um especialista.
O câncer de próstata é um tumor que afeta a próstata, glândula localizada abaixo da bexiga e que envolve a uretra, canal que liga a bexiga ao orifício externo do pênis. De acordo com dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), as estimativas apontam 68.220 casos no ano de 2018 no Brasil. Esses valores correspondem a um risco estimado de 66,12 casos novos a cada 100 mil homens, computando mais de 14 mil óbitos no ano passado.
De acordo com o urologista José do Carmo Gaspar Sartori, de Araçatuba, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens no país, ficando atrás apenas do câncer de pele, que tem uma incidência altíssima num país que sofre muito com os raios ultravioletas presente na luz do sol.
O doutor esclarece que os exames preventivos para todos os homens, devem ter início a partir dos 45 anos de idade, porém, se houver um histórico da doença na família, seja no caso de parentes próximos, como um avô, pai ou irmão, esse determinado paciente faz parte de um grupo de risco e deve iniciar os exames mais cedo. "O indivíduo acaba tendo de 3 a 10 vezes mais a probabilidade de contrair câncer de próstata, então a apuração preventiva começa aos 40 anos. Dessa forma, o exame inicia cinco anos mais cedo", diz.
Para investigar se a doença está presente ou não no paciente, são feitos basicamente dois exames iniciais: Um dos testes é o de Toque Retal, em que o médico vai avaliar o tamanho, a forma e a textura da próstata, com a introdução do dedo protegido por uma luva lubrificada no reto. Este exame propicia palpar a parte superior e lateral da próstata. Outra forma de análise é feita através de PSA (Antígeno Prostático Específico), um exame de sangue que mede a quantidade de proteína produzida pela próstata. "A somatória dessas duas informações pode informar se está tudo bem com esse paciente ou se precisamos dar um passo à frente na investigação, pela possibilidade do câncer no homem em questão", conclui o urologista.
O especialista complementa que esses são os métodos de investigação, pois o único exame que na realidade, faz o diagnóstico de câncer de próstata, é a biópsia. "Hoje com a presença de novas tecnologias, como a ressonância magnética multiparamétrica, pode- se muitas vezes evitar uma biópsia desnecessária, se esse método não mostrar nada suspeito. O uso da imagem da ressonância com a da ultrassonografia, proporciona uma biópsia de melhor qualidade".
Sartori informa que o câncer de próstata não apresenta sintomas, mas acontece que as pessoas se confundem achando que o câncer de próstata é a doença mais comum da próstata. O problema mais comum da próstata se chama Hiperplasia Benigna de Próstata, um tumor benigno que causa um crescimento no decorrer da vida masculina, no volume prostático. "Esse tumor que normalmente é responsável por sintomas como a dificuldade para urinar, a necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite, são efeitos associados ao câncer de próstata, que dificilmente apresenta esses sintomas".
Tudo vai depender do grau do tumor, a idade do paciente e da agressividade d tumor no momento do diagnóstico. De forma geral, dependendo da situação, pode não fazer nada. Grande parte dos tumores de próstata é lenta de progressão. "Pode-se fazer o que chamamos de 'vigilância assistida', fazendo assim, um acompanhamento do paciente de tempos em tempos, para ver a sua evolução". Caso o tumor cresça, os principais tratamentos são a radioterapia e o tratamento cirúrgico, método de maior preferência entre os urologistas. A cirurgia pode ser feita de forma tradicional ou pode ser realizada com o uso da videolaparoscopia, que pode ser feita pela mão ou com um robô. Tanto em Araçatuba, como no interior do estado de SP, não faz uso dessa técnica, por ser um aparelho consideravelmente caro.
O senhor Milton Yamahira, de 67 anos, diferente dos homens, que não se preocupam com a própria saúde, faz o exame preventivo anualmente, desde os 60 anos. "O exame é importante. Procurem sempre fazer os testes periodicamente. Não deixem para amanhã, o que podem fazer hoje".
O médico fala que uma das razões para a falta de comprometimento do homem para com a própria saúde, é que diferente das mulheres, que são ensinadas desde cedo a buscar ajuda de um profissional, desde a 1° menstruação. Os meninos não são ensinados a ter esse hábito. "Os homens quando vem no consultório, obrigados por suas mulheres". Ele ainda diz, que diferente do Outubro Rosa, a divulgação do Novembro Azul possui menor propagação e força na sociedade. Existem sim pessoas e instituições preocupadas, mas se for fazer uma comparação, o câncer de mama recebe mais atenção, apesar do índice de ambas as doenças ser semelhante. Algo a se mudar futuramente. O preconceito dos homens em relação ao exame, também é um problema existente. Mas em relação a isso, o doutor José é otimista. "O tabu ainda existe, mas como a realidade está ficando cada vez mais clara, esse tabu, vai melhorar bastante", conclui.
Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.