Araçatuba

Empreendedores locais fazem da dificuldade uma oportunidade

Por Redação |
| Tempo de leitura: 6 min
SONHO<CF110><MC><EN>Matheus Barcellos (24), começou a vender paçocas no semáforo para realizar seu desejo de ser empresário - Matheus Almeida/Folha da Região
SONHOMatheus Barcellos (24), começou a vender paçocas no semáforo para realizar seu desejo de ser empresário - Matheus Almeida/Folha da Região

Com a crise econômica que assola não só o país, mas boa parte do mundo, muitas pessoas têm buscado formas inovadoras de manter sua saúde financeira e conquistar seus sonhos. Em Araçatuba, é possível ver nas ruas diversos comerciantes ambulantes que se utilizam do negócio para ir atrás de uma nova oportunidade. Este é o caso do estudante de Marketing Matheus Barcellos, 24, que vende paçoca no semáforo da rua do Fico com a Avenida dos Araçás.

Barcellos se apresenta para seus consumidores com uma placa que contém os dizeres “quero ser empresário. Tudo tem um começo”. Com isso e um pote de paçocas, o estudante vai diariamente no local para vender seu produto aos motoristas que aguardam o semáforo abrir para seguir caminho.

O jovem contou para a reportagem da Folha da Região que começou a vender paçocas no para realizar seu sonho de trabalhar com fotografia. “Com 17 anos ganhei minha primeira câmera e vi que queria trabalhar com aquilo, sempre gostei de fotografia, porém, nunca dei valor. Com o passar dos anos acabei deixando de lado esse sonho. Faz uns dois (anos) que voltei com esse projeto”, explica.

Apesar de já ter finalizado o curso, Barcellos conta que há dificuldade em conseguir um emprego em sua área, fazendo com que ele tivesse a ideia de vender o doce a partir de um vídeo que assistiu. “Sempre foi difícil arrumar um emprego fixo, registrado, para ganhar dinheiro. Então comecei a fotografar em festas, mesmo sem saber muita coisa. Comecei a assistir vídeos no Youtube de ‘como ganhar dinheiro’ e vi o do Tiago Fonseca, onde ele explica que nós devemos fazer dinheiro com a oportunidade que tivermos. No vídeo, ele fala de vender paçoca e de se apresentar com uma placa, foi de onde tirei a ideia”, afirma.

Com a ideia em mente, o estudante decidiu colocá-la em prática. “Como quero ser empresário, decidi usar essa ideia e vim. Faz mais ou menos um mês que estou vendendo paçoca. Comecei na frente do zoológico, porém lá não tem muita clientela”.

INÍCIO

No começo, o jovem empreendedor disse que tinha um pouco de vergonha para abordar os motoristas, entretanto, com o tempo, ele conseguiu maior desenvoltura para vender seu produto. Barcellos informou que no começo, sua iniciativa sofreu um pouco de rejeição pelos seus pais, principalmente por conta de sua juventude. “No começo minha família não acreditou muito em mim por conta de sempre ter dado muito trabalho para eles (risos)…ser um jovem meio problemático, que não levava nada a sério. Meu pai me ajudou muito pagando meu curso e minha namorada apoiou a iniciativa de vender paçocas”, explica.

OBJETIVO

O objetivo principal de Barcellos é conseguir juntar dinheiro suficiente para comprar uma lente nova para seu negócio. “Já tenho uma câmera e duas lentes. Quero comprar uma lente que é melhor para ensaios fotográficos e um notebook para fazer a edição. Preciso juntar mais ou menos R$4 mil para iniciar o empreendimento”. Além de seu amor pela fotografia, o estudante também disse à reportagem outros motivos que o levaram a se tornar um empresário. “Nunca me vi trabalhando para os outros, sempre quis trabalhar para mim mesmo. Ter meu próprio dinheiro, meu próprio negócio, sempre gostei dessa linha de pensamento. Procureis várias formas de chegar aos meus objetivos”, finaliza.

Após perder tudo, técnico em logística encontra solução no semáforo 

SOLUÇÃO Ideia de vender as garrafas d’água surgiu após não conseguir emprego - Matheus Almeida/Folha da Região

No mesmo cruzamento onde Barcellos vende suas paçocas, o técnico em logística Rinaldo de Lima, 38, comercializa garrafas d’água. Lima contou que iniciou a vender água no semáforo após sair de seu emprego por conta da crise econômica. “Eu trabalhava no comércio e por conta dessa crise econômica que o Brasil está passando acabei perdendo tudo. Perdi emprego, casa, carro e esposa. Foi a partir dessas perdas que decidi empreender. Já faz dois anos que trabalho comercializando água”.

A ideia de vender as garrafas d’água surgiu após Lima não conseguir uma recolocação no mercado de trabalho. “Após sair do comércio tentei conseguir outro emprego, mas não consegui uma recolocação. Aí pensei ‘tenho que depender de mim mesmo’. Na minha adolescência sempre tive o pensamento de ser empreendedor”.

Por causa da iniciativa de um amigo que comercializava água no terminal de ônibus da cidade, o técnico decidiu empreender nesse ramo. “Vi um amigo meu vendendo água no terminal de ônibus e pensei ‘vou vender água no semáforo’. Peguei meu último resto de capital, comprei um fardo de água, gelei, coloquei no isopor e vim para o sinal vender”, conta.

O técnico de logística explicou que a escolha do local foi estratégica para aumentar suas vendas. “Comecei a vender no cruzamento da rua Duque de Caxias com a Avenida dos Araçás, porém naquele local há muitos ambulantes e pedintes. Então decidi vir para cá (cruzamento da Rua do Fico com Avenida dos Araçás)”. Além da localização, Lima diz que o horário também influência nas suas vendas, que acontecem no pico do calor na cidade, entre às 12h e às 16h.

Para ele, é necessário ter uma boa alimentação, estar hidratado e motivado para conseguir atingir a clientela. “Primeiro você tem que estar bem hidratado, alimentado, e motivado. Você tem que estar alegre para conseguir vender. Se você chegar aqui triste não vende. É alegria! Se você estiver alegre consegue motivar, cativar e persuadir a pessoa a comprar o seu produto”.

Número de trabalhadores informais bate recorde em todo o país

O cenário nacional dos trabalhadores informais bateu recorde no último trimestre, de acordo com os dados divulgados ontem (27), pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ao todo, foram computados 38,8 milhões de pessoas que trabalham na informalidade.

Nesse grupo de trabalhadores informais se encaixam os empregados sem carteira assinada, pessoas que trabalham por conta própria, empregadores sem CNPJ e trabalhadores familiares auxiliares. O conjunto representa 41,4% da população brasileira que possui uma ocupação, o maior registro feito pelo IBGE desde 2016, quando passou a contabilizar essa parcela de trabalhadores.

Do total, 24,3 milhões exercem função por conta própria, mais um recorde na série histórica do Instituto. A quantidade de empregados sem carteira assinada também bateu outro recorde, contabilizando 11,8 milhões de funcionários que não possuem registro na CTPS (Carteira de Trabalho e Previdência Social).

Em entrevista para a Folha de S.Paulo, a analista do IBGE, Adriana Beringuy, diz que o aumento da informalidade ocorre até em setores onde tradicionalmente se contrata com carteira assinada, como a indústria e a as atividades de informação.

"Temos um mercado de trabalho que absorve pessoas, mas essa inserção não se dá pelos vínculos tradicionais da carteira", diz.

Os números recordes dos trabalhadores informais ajudou na redução da taxa de desemprego do Brasil, baixando de 12,3%, registrado no trimestre encerrado em maio, para 11,8%, registrado no último semestre. No mesmo trimestre do ano passado a taxa era de 12,1%. Folhapress

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