O mundo precisa do Evangelho! Não o livro, mas a essência da Boa Notícia de Jesus Cristo! Põe-se diante dos cristãos esta sublime e intransferível missão!
Urge, todavia, especificar conceitos! Prescinde-se de qualquer dimensão institucional. Não se pode engessar o evangelho a esta ou àquela denominação religiosa. A filiação é consequência, nunca prioridade. Urge assimilar a verdadeira essência da Boa Notícia de Jesus Cristo! Na realidade, isto significa viver a experiência de encontrar-se com o próprio Filho de Deus e Filho de Maria. Salta aos olhos o testamento deixado pelo nazareno, justamente na sua última noite vivida na companhia dos apóstolos. Naquela noite, sendo a despedida de seus amigos, Jesus formula de maneira precisa o que espera de seus discípulos, aqueles que perpetuariam sua mensagem pelo mundo afora. Categoricamente lhes mostra que poderão considerar-se legítimos seguidores a partir da livre opção de amar o semelhante. Pedagogo exímio, cuida de definir a que tipo de amor fazia referência: a terna atenção que ele mesmo havia demonstrado para com eles e para com todos que cruzavam seu caminho. Urge destacar o contexto dramático em que esta afirmação foi pronunciada: era a noite que precedia sua condenação motivada por intrigas e conspirações, possibilitada pela traição de um de seus eleitos. Presente a esta confissão estava outro eleito preferido, que daí a poucas horas e sob juramento, negaria conhece-lo. Contexto mais que adequado para reforçar que o preceito do amor não está condicionado a circunstâncias favoráveis. Aplica-se também a situações adversas. Declaradamente, o Mestre definia que seus seguidores seriam reconhecidos como tais, quando demonstrassem a mesma consideração pelo próximo exemplificada pelo Mestre e Senhor Jesus!
Na prática do amor fraterno se resume a sublime missão de evangelizar! Anos mais tarde, um célebre recém convertido do farisaísmo, explicitaria ainda mais o legado do Mestre. Pouco resolve ser bom orador, escreveu Paulo, pouco resolve decorar a Bíblia, pouco resolve participar de rituais e celebrações, se não tiver amor. Sem comprometida caridade nenhum milagre convence. Ama quem se dispõe a esquecer-se de si em favor do semelhante. Entende-se a urgência de os atuais seguidores de Jesus voltarem à raiz de sua identidade! Vive-se a sociedade atual segundo culturas marcadas por exacerbado egoísmo e cruel indiferença! O Evangelho de Jesus Cristo representa o caminho seguro para uma humanidade renovada e revigorada!
A caridade fraterna é o DNA cristão. Abraçada com convicção e vivida com intensidade e incondicionalmente, a caridade fraterna, e somente ela, possui o potencial de aproximar pessoas, purificar relacionamentos e eliminar injustiças. Iniciar, em suma, uma legítima revolução. Nosso desorientado mundo necessita urgentemente de cristãos com DNA bem definido.
Padre Charles Borg é vigário-geral da Diocese de Araçatuba
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