O homem é um ser gregário…confesso que quando ouvi esta frase pela primeira vez, numa de minhas aulas de História com o professor Spina, lá no Colégio Nicola Mastrocola, em Catanduva, fiquei intrigado. Tinha uma ideia de que viver em paz era ser meio que eremita, encontrar um canto afastado, enfiado numa espécie de Terra do Nunca, e lá encontrar a iluminação. O viver em sociedade era complicado para um cara como eu: magrelo, alto e pobre, sempre sendo vítima de brincadeirinhas de mau gosto (isso que o povo chama hoje de bullying). Achava que a vida era barganha, toma lá, dá cá, pois eu só tinha paz e respeito quando passava a cola para os colegas ou quando vencia as disputas meninos contra meninas nas maratonas literárias do colégio. No resto, era só gozação e até um certo desprezo, aquela coisa de não ser convidado para os aniversários da galera (o que era até bom, pois não teria dinheiro para comprar presente mesmo). Bom, mas voltemos ao assunto de viver em grupo. Primeiro, é preciso considerar que a felicidade é poder servir, valer a pena existir para alguém, ser gente e não só um rosto a mais na multidão. Em suma: fazer o bem.
Há um provérbio argelino que diz que "aquele que ensina o bem aos outros sem o praticar é como um cego que segura uma lanterna." Viver é isso, aproveitar todos os momentos, todas as oportunidades, para fazer alguém feliz. Quando você faz isso, torna-se exemplo e surpreende as pessoas com as quais você convive e as despertam da passividade em que dormem. O bem é uma corrente que dinamiza a existência. Por isso, só gostavam de mim quando eu passava a cola? Não, é porque naquela hora eu me sentia poderoso e era capaz de vencer preconceitos, tipo "sou o cara". E me sentia feliz, saía da noite nas quais meus medos me encerrava e vivia a plenitude de ser. Depois, à medida que fui crescendo, entendi que a coisa mais importante do mundo não é ter dinheiro, mas estar com os que amo. Isso é o suficiente. Ter um cantinho, por mais simples que seja, para voltar no final do dia e se descobrir cercado por pessoas lindas, curiosas, arejadas, sorridentes. Quer coisa melhor do que isso?Não entendo porque as pessoas fecham a cara, mesmo quando sentem dores: ficar rabugento cura alguma ferida? Tratar mal os outros, calar-se, virar as costas, te deixam feliz? Lógico que não, é preciso roçar, tocar, descansar o braço nos ombros deles ou delas. "Tô cansado, arrebentado, não quero papo"…isso resolve? Dá jeito? Te revigora? Nada, pelo contrário, viver assim é descer os primeiros degraus na escada descendente da depressão.
Há algo especial em estar com os outros, observando-os, isto nos dá um imenso prazer ao nosso espírito. Só as coisas boas dão prazer à alma, coisas ruins deprimem, magoam, ferem. Não faça essa escolha. Lembremos que o epicentro da religião de Jesus não era o Livro da Lei, mas as pessoas. Ele nos convidava ao amor, à fraternidade. Não exigia sacrifícios, pedia mais amor. E seu Deus não era o Senhor da Guerra e nem dos Exército, era o Pai. E o que deseja um pai? Por isso é que tenho fé num Deus divertido e feliz. E mais, por isso que evito estar com pessoas que me não façam rir. Deus ri e me convida a rir com Ele.
Orlando Ribeiro é locutor profissional, mestre de cerimônias, especializado em cerimoniais corporativos e do serviço público, pós-graduado em Linguística e Produção de Texto, chefe da Divisão de Fomento ao Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Votuporanga
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