A abordagem popular – e que nos interessa particularmente aqui – é entender carpe diem como um comando para viver mais espontaneamente, jogar os planos e rotinas ao vento. Essa perspectiva é atraente hoje, quando tantas pessoas se sentem presas por seus calendários eletrônicos e estão lutando contra uma enxurrada de e-mails, mensagens e tuítes, que não deixa tempo para ações espontâneas. Quando foi a última vez que você jogou seus planos fora e fez algo inesperado? Se tiver um tempo, pergunte a si mesmo: a espontaneidade foi sequestrada pela nossa cultura de tempo hiper organizado?
Então como podemos resgatar nossa espontaneidade?
Levanta-se várias estratégias que podem funcionar. A primeira delas diz respeito a experimentar mais a vida ou se propor a fazer algo que você não faria normalmente. Por exemplo, subir em um ônibus qualquer para um destino desconhecido; desenhar um caminho qualquer no mapa da cidade e seguir essa rota. Outra possibilidade é fazer um itinerário sensorial, passando um dia inteiro seguindo aromas ou sons e vendo aonde eles levam; ou puxar conversar com estranhos (mas selecione apenas as pessoas que estiverem de boné ou algum outro acessório na cabeça, por exemplo). A ideia desses exercícios é desenvolver o hábito de viver improvisadamente, sem planejamento. Isso servirá para trazer improviso e leveza para o seu cotidiano.
A segunda sugestão é que planeje a sua espontaneidade com afinco. Isso talvez soe contraditório, mas uma das melhores maneiras de desafiar a cultura do “apenas planeje” é virá-la contra ela mesma. Sim, planeje sua espontaneidade; pegue sua agenda e programe alguns blocos de tempo para as ações espontâneas. Alguns gostam de planejar espontaneidade entre às 15 e 18h, nas tarde de domingo. Quando chega esse horário, não tenho ideia do que vou fazer, e me motivo a inventar algo fora do cotidiano, como fazer um piquenique embaixo de uma árvore com os filhos.
A terceira estratégia é a que chamo de “recuperar o espírito carnavalesco”. No passado, acredite, éramos muito mais espontâneos do que somos hoje. Pense nos carnavais da sua infância.
Quarta sugestão; comece uma dieta digital. Na nossa era de distração digital, estamos tão ocupados clicando e deslizando os olhos na tela, que mal notamos as coisas interessantes (e às vezes incríveis) que acontecem ao nosso redor. A solução? Coloque-se em uma dieta digital. Na internet, tem aplicativos que gravam com que frequência você checa seu telefone, outro bloqueia seu acesso a internet por períodos programados.
Por fim, permita-se aprender com as crianças. Muitos de nós éramos espontâneos quando crianças. Seria sagaz buscar inspiração para viver espontaneamente seguindo o exemplo dos pequenos. Espontaneidade demais pode, é claro, tornar sua vida caótica – então não exagere. Mas se você por acaso notar que há falta disso na sua rotina, por excesso de planejamento – levante-se contra a cultura do “apenas planeje” e aproveite o agora. Neste artigo parafraseamos o livro Carpe Diem do filósofo Roman Krynaric fundador da The School of Life.
Gervásio Antônio Consolaro é ex-delegado Regional Tributário e assessor executivo na Secretaria Municipal da Fazenda
Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.