Opinião

A Era do Capital Improdutivo - Por Danton Bini

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Para Ladislau Dowbor, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), a desordem que pouco a pouco se assenta no Planeta Terra está de modo direto relacionado ao esfacelamento de um agrupamento de instituições que não mais se responsabilizam pela coexistência harmoniosa das relações produtivas garantidoras de um pacto civilizatório entre os seres humanos. Enquanto a economia se globalizou criando corporações trans e multinacionais capitaneadas por um sistema financeiro gigantesco, a governança pelo bem comum continuam delimitadas de forma fragmentada em aproximadamente 200 Estados Nacionais em sua maioria governados por elites corrompidas aos interesses dessas corporações. Nesse descompasso de conveniências que beneficiam somente poucos, hoje, no mundo, 800 milhões de pessoas passam fome. Enquanto isso, oito indivíduos são donos de mais riqueza do que a metade mais pobre da população mundial.
Numa engrenagem na qual o motor se circunscreve quase exclusivamente ao lucro, deixando as externalidades ambientais e sociais em segundo plano, não se deve manter esse sistema perverso sendo o principal campo de forças que rege nossa existência enquanto coletividade. Como colocado por Dowbor, em A Era do Capital Improdutivo (2017): "… A deformação é sistêmica. É o próprio conceito de governança corporativa que precisa ser repensado. As regras do jogo precisam mudar. Não se sustenta mais a crença de que se cada um buscar as suas vantagens individuais o resultado será o melhor possível".
A observação mais contundente nos demonstra que não é a escassez de recursos financeiros que provoca os problemas contemporâneos, e sim seu assenhoramento por corporações financeiras que os usam para especular ao invés de investir na produção. São possessões tão grandes concentradas nas mãos de alguns atores, que mesmo a exacerbação consumista enviesada à luxúria não garante a expansão da demanda e a retomada de um ciclo de crescimento econômico. Segundo Dowbor "Gerou-se, portanto, uma dinâmica de transformação de capital produtivo em patrimônio financeiro: a economia real sugada pela financeirização planetária".
Danton Bini é pesquisador Científico. Doutor em Geografia Humana pela USP

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