Essa semana uma transmissão ao vivo do presidente Bolsonaro trouxe novos e esquisitos tempos de como se comporta um chefe de Estado, auto proclamado como anti politicamente correto. Estamos ainda nos acostumando a encarar o seu jeito, apenas como sendo de naturalidade, transparência e sinceridade. Mas, ele também brinca com o desdém, sob risco de arranhar sua autoridade e credibilidade?
Então, aquelas piadinhas que os outros ex-presidentes só contavam em reuniões íntimas, bem longe da imprensa, com o Jair elas passaram para a ordem do dia. Sem qualquer constrangimento ele solta cada uma…Essa semana foram várias, mas sem dívida aquela de defecar dia sim dia não, para poluir menos o meio ambiente deixou muita gente com reações de todo tipo. Ele provoca que todos façam um comentário qualquer.
Num outro momento, o assessor chega com um documento para o Presidente e o Ministro da Justiça assinarem. Jair mais uma vez quebra a rotina das relações formais, por uma frase que provocou risos gerais quando disse: “Lula livre”.
A solenidade estava para começar e o assessor perguntou ao Presidente, em qual cadeira ele deveria se sentar. E Bolsonaro disse: “Não sendo do meu colo!”.
Imaginem a saia justa que ele colocou em Sérgio Moro, quando perguntou se ele estava fazendo “troca-troca”. A motivação foi quando ele trocou de cadeira com outro ministro. Bolsonaro “sarrou” Moro daquele jeito que só se vê em botecos, quando já se tomou algumas brejas e o ambiente é daqueles tipo “masculino”.
Esse seu comportamento, é altamente midiático. Bolsonaro sabe disso e aproveita para criticar seus opositores e encarar parte da imprensa, como sua inimiga declarada. Disse que alguns jornais estão chamando-o de “Capitão Motosserra”. Então, para se vingar ele falou que vai ajudar os jornais a diminuírem o consumo de papel, que destrói árvores. E citou que o jornal “Valor Econômico” havia vendido mais de uma dezena de páginas para que uma grande empresa publicasse seu balanço.
Na verdade em relação aos editais públicos, a recomendação vem sendo feita pelo próprios Tribunais de Contas, para que as Prefeituras ao invés de pagarem pela publicação nos jornais, criem um periódico eletrônico e mantenha o acesso à informação na rede de internet. Esperto, Bolsonaro quer assumir um pouco da paternidade da decadência da imprensa impressa, que não significa de forma alguma a decadência do jornalismo, mas de um meio de informação.
Antônio José do Carmo é Jornalista
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