Grande parte dos relacionamentos entre as pessoas, hoje, está sendo intermediada pelas redes sociais. Com seu sistema de algoritmos, elas conseguem unir as pessoas por afinidades ideológicas, sociais e de consumo. Com exceção dos aplicativos de trocas de mensagens, os demais sempre formam uma bolha entorno do usuário.
Aos leitores que ainda não se atentaram para este sistema de criação do mundo perfeito, ou que já ouviram falar mas não conseguem entender bem como funciona, nunca é demais trazer algumas explicações.
Quando eu ou você fazemos uma pesquisa na internet, principalmente por meio do Google, há sistema interno dele chamado Google Bot. Ele é como um espião das suas preferências e de maneira automática detecta quais são os resultados de páginas que melhor correspondem à busca e lista-os de acordo com sua relevância.
Nas redes sociais, o sistema para te viciar, agradar e enganar é bem parecido. No exato momento que você abre o feed de notícias, você vai receber primeiro as postagens que estão muito próximas daquela que você demorou mais tempo lendo, vendo, compartilhou, comentou ou curtiu. Há todo um sistema computadorizado pronto para te fidelizar (ou engajar, na linguagem dos entendidos no assunto). O mundo virtual será sempre mais próximo daquilo que você gosta, até preferir ficar mais tempo lá que fora.
Conhecer os algoritmos das redes sociais é muito importante para quem trabalha com isso no dia a dia, pois ele poderá posicionar sua marca ou a de seu cliente de uma forma mais efetiva. Mas quem usa apenas para diversão também deve ficar atento: este troço é feito para te enganar.
Penso sobre isso todas as vezes que vejo como o meu mundo fica melhor quando convivo com pessoas diferentes no cotidiano da minha profissão. O contraditório nos enriquece. Tanto que as grandes cidades que se transformaram em polo de conhecimento, como Atenas, só chegaram a este patamar por serem portos e receberam pessoas de várias culturas.
Para citar outra plataforma que também usa os algoritmos, a Netflix tem um filme maravilhosamente engraçado e emocionante sobre as diferenças que nos unem. Falo do filme argentino “Um Conto Chinês”. Ele conta a história de Roberto, que é um homem recluso e mau humorado. A comodidade de sua vida é interrompida quando ele encontra um chinês que não fala uma palavra de espanhol. O imigrante acabara de ser assaltado e não tem lugar para ficar em Buenos Aires. Inicialmente relutante, Roberto acaba deixando o asiático viver com ele e aos poucos vai descobrindo fatos sobre o chinês.
Eles não falam uma só palavra no idioma do outro, mas aos poucos vão construindo um diálogo riquíssimo, que mais tem a ver com o coração que com os pensamentos e certezas.
As diferenças que unem são, na verdade, o que devemos buscar para nossas vidas. Elas é que fazem tudo ficar mais belo.
Jean Oliveira é jornalista, bacharel em Turismo e funcionário público municipal
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