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Saudades da festa popular - Por Evandro Silva

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Já prestigiei muitas edições da Expô Araçatuba. Quando ainda era adolescente, lembro-me de uma festa mais popular, menos elitizada, com portões que se abriam ao público após às 22 horas (mais ou menos) para acesso gratuito e, mesmo antes desse horário, os preços dos ingressos eram mais acessíveis do que os praticados hoje.
Lembro-me de todos os espaços destinados aos expositores ocupados, não só de animais, mas também de veículos, serviços dos mais diversos, alimentação variada, inclusive com a presença no recinto de restaurantes tradicionais da cidade.
Lembro-me de que a festa era tão popular que a maioria dos restaurantes da cidade permaneciam fechados durante os dez dias da Expô Araçatuba, pois sabiam que não teriam movimento nesse período, já que toda as atenções do público estavam voltadas para a exposição agropecuária.
Lembro-me também de filas de carros que começavam na Rua do Fico, pois grande era o fluxo de pessoas que se dirigiam à festa ao mesmo tempo, fora aqueles que para lá se deslocavam de ônibus ou até mesmo a pé. Bons tempos. Talvez porque foram os tempos da minha juventude. A festa evoluiu e se elitizou. Deixaram de abrir os portões após às 22 horas, aumentaram o custo do metro quadrado cobrado do expositor, tornando inviável para algumas empresas exporem no recinto Clibas de Almeida Prado, surgindo, assim, grandes espaços vazios no recinto. Onde antes se via exposição de veículos de todas as marcas, atualmente o que se vê é um gramado vazio. Os locais que abrigavam restaurantes tradicionais, hoje estão vazios ou ocupados por restaurantes desconhecidos e com alimentação de qualidade questionável a preços incompatíveis com o produto que entregam. O chamado “galpão”, área coberta, sempre cheia de pequenos boxes de expositores com os mais diversos produtos, desde doces artesanais a roupas de couro, aparelhos de massagem, bijuterias, móveis e artigos de decoração, já há algum tempo, só tem metade da área ocupada.
E o que dizer do valor dos ingressos para entrar no recinto? Bem, essa é outra questão que evoluiu muito, se é que podemos chamar o aumento de preços de evolução. É praticamente impossível para uma família pobre visitar a Expô um único dia que seja, salvo na chamada Expô Solidária.
O fato é que a Expô Araçatuba já foi uma festa popular que acabou se elitizando e, embora possa ainda ser um sucesso quando se fala em negócios agropecuários, como exposição de outros produtos está deixando a desejar e pode acabar reduzida a shows, parque de diversões e praça de alimentação.
Um reflexo positivo desse cenário é que a cidade, que antes parava durante os dez dias de feria, agora segue sua rotina normalmente, como se nada de diferente estivesse acontecendo. Tudo funciona normalmente e há público para tudo: restaurantes, shoppings, lanchonetes, cinemas, etc.
Evandro Silva é advogado

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