Todo conflito sustenta-se nas diferenças, assim quanto mais uma pessoa defende seus pontos de vista, mais aumentam as diferenças existentes frente a seu opositor. As diferenças, quando mantidas (por inércia), darão início a um movimento perpétuo, ou no mínimo uma tendência para novos conflitos. Assim, o cérebro humano para economizar energia desenvolve respostas automáticas. Esse automatismo, presente em todo cérebro humano, pode ter diferentes origens, por exemplo, um trauma emocional; imagine uma pessoa que se acidentou em uma lancha e agora tem pavor de água, ou por questões culturais; na África do Sul existem ritos de iniciação religiosa que levaram à morte de mais de 400 jovens no ano de 2015. Livros Sagrados de todas as vertentes apontam para as forças que se contrapõe levando caos às famílias, cidades e nações, e se não é sem razão que muitos defendem os conflitos como sendo importantes à evolução, também não será desvalida a afirmação de que existe toda uma estrutura que se retroalimenta por meio da dinâmica conflitiva-destrutiva. Quando ligamos a TV, acessamos a internet, ou mesmo na vida cotidiana, podemos ver as consequências que destes resultam: desemprego, falências, violência e crescentes índices dos transtornos mentais, Assim, tendo ouvido as vozes da desesperança, o silêncio dos desistentes e observando o vergar das cabeças que não mais partilham, pergunto: Quais são as razões para continuar? Em breve retrospecto e em rápidos vislumbres recordo quantos infernos visitei em vida, quantos outros observei à minha volta, para então constatar que todos foram transformados pelo tempo, e não estão mais aqui. Essa foi uma constatação libertadora, não estar mais aqui é também um exercício poderoso: Como será quando eu não estiver mais aqui? Como serão os seus amores e dores quando você não estiver mais aqui? Ter consciência da passagem do tempo e da brevidade da vida é também saber medi-la em oportunidades e estas sim, são muitas vezes as melhores respostas e os melhores motivos para continuar em busca do equilíbrio e da paz.
Marcelo Prates é consultor empresarial
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