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Pedir desculpas - Por Padre Charles Borg

Por Redação |
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Dia 26 de maio representa para a nação australiana o dia de pedir desculpas pelos maus tratos que sucessivas gerações de ilhéus infligiram sobre o povo indígena local. No dia 26 de maio de 1997, o parlamento australiano ficou sabendo da cruel separação de crianças aborígenes de suas famílias e de suas tradições. Dois anos depois, o Parlamento local reconheceu a culpa e admitiu que o desumano tratamento representa uma das páginas mais vergonhosas da história do país. Faltou, contudo, um formal pedido de desculpas. Quase uma década após, em 2008, uma moção parlamentar aprovou um formal pedido de desculpas pelos sofrimentos causados às comunidades indígenas. Dizia na ocasião o Primeiro Ministro, que os australianos são chamados a refletir sobre a falta de atenção imposta às indígenas. “Formalmente, a nação australiana pede perdão”, declarou o Primeiro Ministro! “Reconhecemos a dor sofrida por tanta gente! Dor e sofrimento são sempre muito pessoais. Sempre desconcertam! Reconhecendo nossa culpa, iniciamos um processo de redenção nacional”.

Recorrentes, entre nós, são as discussões envolvendo o cuidado e a consideração merecidas pelas nações indígenas. A chamada classe progressista questiona as várias ‘mordomias’ concedidas aos povos indígenas locais, mormente nas questões fundiárias. Terras, que podem gerar riquezas para o país, ficam ociosas nas mãos dos nativos. Fundamentalmente, o embate se concentra no conflito de mentalidades. Enquanto o mundo progressista considera tudo na base do lucro, a mentalidade indígena olha a natureza como mãe, que merece ser profundamente respeitada e venerada. Nunca explorada gananciosamente! A questão não pode ser reduzida a mera especulação fundiária ou proposta produtiva. Desalojando indígenas de suas terras, representa violenta agressão à sua cultura, moldada em harmonioso convívio com a natureza, respeitando suas leis e preservando suas riquezas para gerações futuras.

Urge reconhecer que a mentalidade pragmática e a sanha dominadora dos ‘prepotentes brancos’ provocam dores e sofrimentos que não são adequadamente compreendidos por quem não aprendeu a enxergar a natureza como mãe. As riquezas naturais estão, sem dúvida, a serviço do ser humano. Explorá-las, todavia, de forma predatória e gananciosa provoca, não somente abruptas e desastrosas mudanças no ecossistema, como também põem em risco a preservação das próprias fontes. Os bens naturais não são inesgotáveis!

Dor é sempre pessoal. A legítima cultura indígena sofre com tanta depredação e exploração gananciosa. A agressão não atinge somente a alma indígena, viola o ecossistema, com irreparáveis consequências para toda humanidade. Saber respeitar esta cultura representa passo importante para preservá-la. Reconhecer abusos e pedir perdão são inadiáveis gestos no processo de reconhecimento desta cultura como também de valiosa redenção nacional.

Padre Charles Borg é vigário-geral da Diocese de Araçatuba

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