Ele é considerado entre seus amigos. Rapaz bonito, educado, prestativo. Boa companhia, trabalhador, jeito que desperta carinho, afeto, apego, alguém que nos enche de ocitocina. Troca de olhares, sorriso discreto, sinalização de disponibilidade, aproximação, olfato, respiração breve e leve, toque suave, rebaixamento leve das pálpebras superiores, química. A testosterona rouba a cena e a sincronia dos corpos consuma com volúpia despudorada, um verdadeiro ode a Eros. A proximidade e a disposição de ambos concede novos encontros. Ela com ele conversa, gargalha, ele, inspira confiança, admiração, desperta nela o anseio intenso do desejo de tê-lo por perto, apaixonada, inebriada, embebida, só pensa nele, o neurotransmissor que a vicia só podia ter um nome: dopamina. Deixe-me ser claro, de núcleo accumbens entumescido, quem goza é o cérebro. Nosso sistema neurossensorial, ao receber pistas de estímulos que sejam atrativos para o cérebro, leva a ativação automática de específicos circuitos neurais. Rostos, corpos, vozes, toques e modos, se apresentam como gatilhos para o sistema de ativação comportamental (SAC) e sua insaciável busca por recompensa. O amor companheiro é baseado no forte comprometimento da amizade, confiança e intimidade. É o desfecho da maioria das paixões que se tornam longos relacionamentos. Mesmo assim, a bioquímica, protagonista dos afetos positivos, variará em intensidade no curso do tempo. O afeto e a atratividade irão variar no curso dos anos. E é por isso que relacionamentos longos passam por diferentes fases, ora de companheirismo e respeito, ora de paixão e admiração e por vezes, puro tesão. Experimentamos também afetos diferentes, por pessoas diferentes. Você solteiro (a), pense nos “contatinhos”, para uns, amizade, para outros, romance, e para outros apenas sexo, e para alguns infelizes, apenas ranço. Paquera diferente, bioquímica diferente. Paquera? Onde estou com a cabeça? Essa é palavra que usávamos há tempos para nos referir a pessoas por quem tínhamos uma “queda”. Manja quando o avião cai? Após a queda, ao tocar o chão, ele faz crush! Hoje não se tem paquera, se tem crush. Gostoso mesmo é aquele que mexe com nossa fisiologia, um neurocrush.
Rui Matheus
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