Tem sido cada vez mais difícil exercer o papel de educador na sociedade contemporânea. Parte da dificuldade deparada é, talvez, a falta de clareza quanto ao que cabe a cada um dos atores envolvidos nesse cenário educativo: pais, filhos e educadores. É preciso definir bem os papéis para que os protagonistas possam responsabilizar-se na árdua tarefa de modelar os caracteres de homens de bem.
O mundo modificou e se transforma dinamicamente. E a mudança precisa ser compreendida e exercida no processo de ensino e aprendizado. Atualmente, as crianças ganharam voz e têm condições de se expressarem precocemente na vida de relação social ajustada nas teias dos espectros virtuais. Logo, elas têm opiniões, desejos e respectiva autonomia dantes jamais vistos.
O preocupante, porém, é a cômoda terceirização do processo educativo pelos pais. Por isso, os progenitores estão cada vez mais ausentes, devido às muitas atividades assumidas. Por outro lado, os filhos estão cada vez mais senhores de si sob a bandeira da liberdade inconsequente para consumir informações nem sempre adequadas à sua faixa etária, e matriculados em múltiplas atividades extras-escolares que lhes sobrecarregam a estrutura biológica e psicoemocional.
Esquecemos, entretanto, que embora as crianças já interajam de igual para igual, elas continuam sendo crianças e precisam de limites e valores. Receamos frustrá-las e fazê-las passar por penúrias psíquicas, tememos dizer não. Importa lembrar que a frustração é necessária ao desenvolvimento infantil e fundamental para a vida em sociedade.
Quando se enfrenta frustrações são ativadas áreas neurológicas, em desenvolvimento, que auxiliarão na constituição do psiquismo e perpetrarão os movimentos psicológicos de mudanças íntimas para adaptação ao meio. Em verdade, criança que não passa por frustrações tornar-se-á um adulto inseguro perante os reveses da vida, experimentará inevitáveis crises emocionais e descontentamentos constantes.
A função social da escola é fundamental na formação e desenvolvimento da criança contemporânea. Entretanto, a empreitada da família é intransferível. Será o clã familiar que proporcionará os valores morais à criança e, nesse sentido, a escola se servirá deles a fim de aguçar a composição intelectual com vistas ao enfrentamento de um mundo de possibilidades.
O que se espera do ano letivo é que seja rico em conhecimentos, farto de novas amizades e tenha um campo ilimitado para indispensáveis conquistas educacionais. Sem dúvida, o papel da instituição escolar é desafiador, todavia, quando escola e família caminham juntas, a sociedade vivifica e se torna próspera moral e intelectualmente.
Jane Maiolo é pós-graduada em psicopedagogia e vice-diretora de Escola Municipal, em Jales. Dirigente na Sociedade Espírita Allan Kardec, na mesma cidade e pesquisadora sobre o Evangelho, descreve esta Face Espírita/Ano 11 para publicação na Folha da Região
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