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Coleta informal influencia na arrecadação de cooperativa

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min
A Corpe (Cooperativa de Trabalhos dos Recicladores de Lixo de Penápolis) pode ser considerada um modelo de sucesso na reciclagem de materiais na região. Ela nasceu em 2000 com o objetivo de oferecer melhores condições de trabalho às pessoas que catavam lixo no aterro sanitário municipal e de promover o resgate social daquelas pessoas, para ajudá-las a se reintegrar à sociedade. O problema, segundo a direção da cooperativa, é que com a crise financeira que se arrasta há alguns anos, os cooperados passaram a disputar os materiais oferecidos pela população com os catadores informais, que vem crescendo em quantidade. Penápolis é a única cidade da região onde a cooperativa distribui aos moradores, sacos plásticos para fazer a separação do que é reciclável, do que é lixo. O Daep (Departamento Autônomo de Água e Esgoto de Penápolis), que é parceiro da cooperativa, informa que em média são distribuídas 100 mil embalagens dessas por mês. A coleta é feita em 100% da área urbana uma, vez por semana. Entretanto, de acordo com a Corpe, os sacos que são colocados na rua pelos moradores com os materiais recicláveis destinados à cooperativa, são abertos pelos catadores informais antes do caminhão da coleta passar. Esses catadores retiram os materiais de maior valor, como latas de alumínio e garrafas PET, deixando apenas os materiais de baixo valor comercial. Um representante da cooperativa que pediu não ter o nome divulgado comentou que já faz algum tempo que a arrecadação de material vem diminuindo, mas que ela se acentuou nos últimos meses, devido à crise financeira. NÚMEROS A reportagem teve acesso a uma planilha da cooperativa, que aponta que em 2014, por exemplo, foram processados pela Corpe, aproximadamente 940,5 mil quilos de material, gerando R$ 416,4 mil de renda. Em 2016, o volume de material processado saltou para 1.862.696 quilos. Apesar de a quantidade de material ter praticamente dobrado, a arrecadação em dinheiro aumentou apenas 20%, o que comprova que a qualidade do material coletado foi de valor inferior. Em 2017, a quantidade de material processado pela cooperativa teve queda de 41% em comparação com o ano anterior e os números relativos a este ano ainda não foram tabelados. "Estão tirando o ouro da cooperativa", comenta o representante. Com a queda na arrecadação, consequentemente cai a renda dos cooperados. Ele conta que a Corpe já chegou a ter 45 cooperados e o maior salário mensal de cada um deles foi de pouco mais de R$ 1,4 mil. Atualmente são 32 cooperados, incluindo o motorista do caminhão, e cada um recebeu R$ 1.270,00 no último mês. O representante explica que todos os dias a cooperativa recebe a visita pessoas que entregam currículo na esperança de conseguir uma vaga, porém, não tem como integrar mais cooperados. Isso só seria possível se aumentasse a quantidade de material reciclável arrecadado. E como tem ocorrido o contrário, com os catadores informais pegando os materiais de maior valor antes da cooperativa, a tendência é de queda da renda mensal dos cooperados e até o corte na quantidade de recicladores. Ainda segundo o representante da cooperativa, os catadores informais que estão coletando os materiais antes dos cooperados não têm interesse em fazer parte do grupo, pois não gostam de cumprir horários e regras.  

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