Sua Saúde

Novo medicamento é lançado para ajudar no combate à hepatite C

Por Redação |
| Tempo de leitura: 6 min
A medicina está em constante evolução para que a população possa aumentar sua expectativa de vida, curar o até então incurável e viver suas vidas de forma mais saudáveis e sem tantas complicações. Uma das doenças que mais afetam os brasileiros e as pessoas no mundo todo é a hepatite que, em diversos níveis de agressividade e meios de transmissão, está sendo combatida. Para maior aprofundamento sobre o vírus HCV falamos com o infectologista Stelios Fikaris, que é formado em medicina na Universidade de Ribeirão Preto (USP), no ano de 1982, e exerce a profissão há 43 anos. Nessa conversa, ele desmistifica alguns aspectos sobre as doenças e sobre o novo medicamento para tratamento da hepatite C, o Epclusa, trazendo análises sobre os avanços da medicina e sobre o comportamento humano em relação a ela. Por fim, ele dá dicas e explica alguns dos principais pontos sobre as hepatites. O que é? O primeiro ponto importante é saber o que é hepatite e que a doença tem vários estágios e vertentes “hepatites são, principalmente, inflamações do fígado, causadas, normalmente, por vírus. Temos os tipos A, B e C, sendo que a mais aguda, ou seja, a que mais é visível e ataca quase que imediatamente, já que a doença aparece, ela pode ser tratada e curada com mais antecedência e facilidade, é a hepatite A, que geralmente ataca mais os jovens. Já as hepatites B e C são mais cronificadas, ou seja, ficam escondidas por muito tempo no organismo humano sem ter sintomas aparentes, causando lesões no fígado depois de vários anos” explica. Com o decorrer do tempo e sem um tratamento devido à falta de percepção do vírus das hepatites B ou C dentro do corpo, esta hepatite pode desenvolver-se e acarretar diversas doenças graves como cirrose e até mesmo câncer de fígado. Por muitos anos, o tratamento não era satisfatório, mas isso mudou recentemente “seis a oito anos atrás, a doença de hepatite C crônica não tinha um tratamento satisfatório, somente depois desse tempo houve uma descoberta de medicamentos que conseguiram controlar a doença, principalmente em pacientes que têm cirrose causada pela hepatite C crônica.” Acrescenta o doutor sobre a evolução da medicina na última década. Como se pega? Os meios de transmissão desta doença também são diferentes para cada tipo de hepatite. “A transmissão de hepatite A é pela ingestão oral fecal (ter contato com fezes infectadas na boca, o que causa sintomas imediatos da doença), por isso é mais frequente em crianças pequenas, que vão para locais rurais e são expostas a fezes contaminadas de animais, resultando por ingeri-las inconscientemente. No caso da hepatite B, pode ser transmitida por relações sexuais, então o uso de preservativos é essencial para prevenir esse tipo de doença e outras tantas DSTs (Doenças Sexualmente Transmitidas) e tanto a B quanto a C são transmitidas pelo sangue, podendo ser através de drogas injetáveis por agulhas contaminadas, lembrando que há vacinação contra hepatites A e B. Para a hepatite C ainda não tem vacina e é ela a maior causadora de doenças graves como cirrose, diabetes mais avançadas e até mesmo câncer” detalha o infectologista. A doença chama atenção, não só no Brasil, que há uma estimativa de 657 mil portadores da doença, como também em todo o mundo, são cerca de 71 milhões de pessoas com a doença. Como para os tipos A e B já existem vacinas, a tendência é que o número de portadores desses dois vírus diminua. Nova droga Tendo em vista o número de incidentes com a hepatite mais letal, que é a C e que pode causar doenças mais graves, recentemente foi descoberto um novo medicamento chamado Epclusa, capaz de combater o vírus HCV. O Epclusa foi avaliado em cinco estudos que incluíram mais de 1200 pacientes com taxas de cura de 98%. Os estudos também demonstraram resultados em pacientes que se encontravam em diferentes situações, como aqueles que já foram previamente tratados; pessoas com doença hepática avançada, como a cirrose; pacientes no período pré e pós transplante de fígado e coinfectados com HIV “Já existem tratamentos e medicamentos para hepatite C, então o novo medicamento vem para acrescentar e auxiliar os já existentes. Ele não pode ser a cura sozinho e sim mais uma ferramenta de auxílio no tratamento da doença”, desmistifica Stelios. Hábito de vida Por meio da evolução constante das tecnologias e avanços científicos, as pessoas tendem a depender mais de métodos artificiais para manterem-se saudável “Em relação aos hábitos das pessoas, não tem tanto a ver com o avanço da medicina em si, mas sim com a mentalidade que cada um tem, este hábito horrível das pessoas só se moverem quando a situação está crítica, é lamentável, mas é muito frequente. Então, cabe ao próprio cidadão escolher viver uma vida saudável e se cuidar sempre, pois a saúde é o bem maior que algum pode ter” opina o doutor. No consultório Stelios fala também sobre a frequência com que recebe os pacientes infectados em seu consultório e a média de idade mais frequente “A frequência que atendo é muito aleatória. A hepatite A já foi inserida no calendário vacinal das crianças pela saúde pública e o índice com essa doença tem aparecido vem caído consideravelmente ,o que é uma ótima noticia para a medicina. A hepatite B também faz parte do calendário vacinal de adultos. Então, o mais recorrente, no caso da B, são pessoas acima dos 30 anos que nunca foram vacinadas e que têm uma vida sexualmente ativa ou com a aplicação de drogas na corrente sanguínea com agulha contaminada. Podem ser passadas por saliva, isso vale para a C também, o diferencial é que, como disse anteriormente, a medicina ainda não inventou a vacina para hepatite tipo C , o que exige que cada pessoa se cuide naturalmente, prevenindo-se de sangue contaminado” acrescenta. Sintomas Caso o paciente já esteja infectado, o sintoma mais frequente e visível para saber que contraiu a doença é pela coloração da pele “Tanto a hepatite A quanto a B têm mais chances de aparecer o sintoma mais presente da doença, que é o tom de pele mais amarelado e pálido, o que caracteriza o sintoma chamado de icterícia. Já no caso da hepatite C é bem mais difícil este sintoma ser detectado, sendo percebido, apenas, muitos anos depois com doenças mais alarmantes. Então, em caso de suspeita de contaminação como exposição a sangue, prática sexuais sem preservativos ou ingestão de resquícios fecais, sem a certeza de que foi corretamente vacinado para hepatite, procure um médico”. Para finalizar, o doutor não mede palavras para encorajar aqueles que já estão em um estado mais avançado da doença sobre o novo remédio e os que já existem “o remédio se junta a um arsenal de vários outros medicamentos, que também são recentes, e que têm a função de curar o paciente ou de estabilizá-lo para que a doença não avance a níveis críticos os quais possam colocar a vida em risco. É uma esperança para pacientes que estão em níveis mais avançados de hepatite C, tornando o Epclusa® uma novidade muito bem-vinda”.

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