04 de novembro de 2026
CRISE E MERCADO

Piracicaba mira acordo com Europa para driblar tarifaço de Trump

Por Redação/JP1 |
| Tempo de leitura: 1 min
Reprodução / Prefeitura de Piracicaba
As tarifas comerciais impostas pelo governo de Donald Trump atingiram diretamente a indústria de Piracicaba, que agora busca ampliar a presença em outros mercados internacionais.

As tarifas comerciais impostas pelo governo de Donald Trump atingiram diretamente a indústria de Piracicaba, que agora busca ampliar a presença em outros mercados internacionais. O acordo entre Mercosul e União Europeia aparece como uma das alternativas para reduzir a dependência dos Estados Unidos, especialmente no setor de máquinas e equipamentos.

Segundo estudo do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Piracicaba e região (Simespi), o município é o mais afetado pelo chamado tarifaço. As sobretaxas norte-americanas, que chegam a 37,5% para determinados produtos, pressionam empresas que têm os Estados Unidos como destino importante de suas exportações.

O segmento de máquinas e equipamentos concentra cerca de US$ 2 bilhões dos US$ 2,8 bilhões exportados por Piracicaba e municípios da região. Com esse peso na balança comercial, a busca por novos compradores se tornou uma estratégia para preservar a competitividade das indústrias locais.

Dados comerciais de 2026 apontam que as máquinas pesadas da chamada linha amarela lideram as exportações regionais. Entre os equipamentos estão tratores, escavadeiras e niveladoras. Produtos como açúcar e álcool aparecem em posições distantes na pauta exportadora.


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Máquinas pesadas lideram as exportações de Piracicaba

A linha amarela tem papel central na economia exportadora da região. Os equipamentos utilizados em obras, infraestrutura e atividades industriais representam a maior parcela das vendas externas locais, com destaque para tratores, escavadeiras e niveladoras.

O desempenho do setor ajuda a explicar o impacto das tarifas dos Estados Unidos sobre Piracicaba. Com uma parcela expressiva das exportações concentrada em máquinas e equipamentos, a indústria regional precisa encontrar alternativas para manter o fluxo de negócios diante das barreiras comerciais.

ApexBrasil oferece apoio para conquistar novos mercados

Para facilitar a entrada de empresas brasileiras em outros países, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o governo federal trabalham em iniciativas de apoio à diversificação comercial. Entre as medidas anunciadas estão subsídios de até R$ 40 mil por empresa para despesas relacionadas à adaptação das operações de exportação a novos mercados.

O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, afirma que a agência pretende aproximar empresas que já exportam de potenciais compradores internacionais. A iniciativa conta com uma rede de contatos e representações da instituição no exterior, além da possibilidade de participação em feiras internacionais com custos subsidiados.

A proposta também contempla negócios que ainda não atuam no comércio exterior. Nesses casos, o apoio poderá começar pela elaboração de planos de negócios e pela identificação de países com demanda pelos produtos brasileiros.

Segundo Müller, o objetivo é orientar as empresas sobre os primeiros passos para exportar e mapear oportunidades comerciais de acordo com o perfil de cada indústria.

Empresas iniciantes também poderão receber orientação

O suporte da ApexBrasil não se limita às indústrias que já possuem experiência no comércio internacional. Empresas que ainda não exportam poderão receber auxílio para estruturar um plano de negócios e identificar mercados com potencial para seus produtos.

A proposta é avaliar as características de cada empresa e indicar caminhos para iniciar as vendas ao exterior. A agência também pretende ajudar na identificação de oportunidades e na preparação para atender compradores internacionais.

Acordo Mercosul-União Europeia pode abrir portas na Europa

A aproximação com o mercado europeu é vista como uma oportunidade para ampliar os destinos das exportações de Piracicaba, em meio às dificuldades impostas pelas tarifas dos Estados Unidos.

A estratégia, no entanto, não prevê abandonar o mercado norte-americano. Müller afirma que a ApexBrasil continuará promovendo empresas brasileiras nos EUA, enquanto trabalha para ampliar a atuação em outros países.

O dirigente também criticou as sobretaxas norte-americanas, afirmando que elas não têm justificativa comercial. Na avaliação dele, a Europa pode representar uma alternativa relevante para o setor de máquinas, já que importa esse tipo de equipamento e poderá reduzir tarifas sobre produtos brasileiros com o acordo Mercosul-União Europeia.

A eventual queda das barreiras comerciais pode aumentar a competitividade da indústria nacional e facilitar o acesso de fabricantes da região a compradores europeus.

Diversificação busca reduzir dependência dos Estados Unidos

A estratégia de ampliar a presença na Europa não significa abandonar as negociações com Washington. Segundo Müller, o mercado norte-americano continua sendo importante para as empresas brasileiras, mas a diversificação dos destinos das exportações é necessária diante das incertezas comerciais.

Para a região de Piracicaba, a abertura de novas frentes de negócios pode ajudar a reduzir a exposição às tarifas dos Estados Unidos e ampliar as oportunidades para o setor industrial.

A expectativa é que o acordo Mercosul-União Europeia, aliado às iniciativas de apoio da ApexBrasil, contribua para aproximar fabricantes locais de compradores internacionais e fortalecer a presença dos produtos brasileiros no exterior.