Mais de 62 mil pessoas morreram em decorrência de Acidente Vascular Cerebral (AVC) no Brasil até setembro de 2026. O número representa uma média de aproximadamente 258 mortes por dia, ou 11 por hora, segundo dados do panorama de mortalidade do Tabnet, do Sistema Único de Saúde (SUS).
O cenário chama a atenção para a gravidade da doença e ganha destaque em razão do Dia Mundial do AVC, celebrado nesta quinta-feira (29). A data reforça a importância da prevenção, da identificação dos primeiros sinais e da busca rápida por atendimento médico, já que o tempo de resposta pode influenciar diretamente as chances de recuperação do paciente.
O AVC ocorre quando os vasos sanguíneos responsáveis por levar sangue ao cérebro ficam obstruídos ou se rompem. Com a interrupção do fluxo sanguíneo, as células cerebrais deixam de receber oxigênio e nutrientes, podendo sofrer danos em poucos minutos.
No Brasil, a doença está entre as principais causas de morte. Em 2025, foram registrados 89.490 óbitos por AVC, número próximo ao de mortes por infarto, que chegou a 91.912, conforme levantamento do Ministério da Saúde.
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Quais são os tipos de AVC?
Existem dois tipos principais de Acidente Vascular Cerebral, classificados de acordo com a causa do problema na circulação sanguínea do cérebro.
AVC isquêmico
É o tipo mais comum e corresponde a aproximadamente 85% dos casos. Acontece quando uma artéria que transporta sangue para o cérebro é obstruída, impedindo a chegada de oxigênio às células cerebrais.
O bloqueio pode ocorrer pela formação de um trombo, caracterizando a trombose, ou pela chegada de um êmbolo, caracterizando a embolia. Sem o fluxo adequado de sangue, as células da região afetada podem morrer.
AVC hemorrágico
Representa cerca de 15% dos casos e acontece quando um vaso sanguíneo cerebral se rompe, provocando sangramento. A hemorragia pode ocorrer dentro do tecido cerebral ou na região entre o cérebro e as membranas que o revestem. Apesar de ser menos frequente, esse tipo de AVC pode apresentar maior gravidade e risco de morte.
Quais são os sintomas do AVC?
Os sinais de um AVC geralmente aparecem de maneira repentina. Entre as manifestações mais comuns estão a perda de força em um dos lados do corpo, a dificuldade para falar e as alterações na visão.
Outros sintomas também podem surgir, como:
Mesmo quando os sintomas melhoram ou desaparecem após alguns minutos, é necessário procurar atendimento médico imediatamente. O quadro pode indicar um ataque isquêmico transitório (AIT), que também exige avaliação urgente.
Como identificar os sinais e o que fazer?
Ao identificar qualquer um desses sinais, a orientação é acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192, ou procurar atendimento de emergência. Não se deve esperar uma melhora espontânea nem oferecer medicamentos por conta própria.
Quais são os fatores de risco?
O desenvolvimento do AVC está relacionado a diferentes condições de saúde e hábitos de vida. Entre os fatores comportamentais que podem aumentar o risco estão o tabagismo, o sedentarismo, o excesso de peso e o consumo frequente de bebidas alcoólicas.
Também existem condições clínicas que merecem atenção, como:
A hipertensão é um dos principais fatores de risco para a doença, pois pode provocar danos aos vasos sanguíneos ao longo do tempo.
Prevenção pode reduzir os riscos
A adoção de hábitos saudáveis é uma das principais medidas para diminuir as chances de sofrer um AVC. Manter a pressão arterial controlada, praticar atividades físicas regularmente, ter uma alimentação equilibrada, evitar o cigarro e moderar o consumo de álcool são cuidados importantes.
O acompanhamento médico também permite identificar e tratar condições que aumentam o risco cardiovascular, como hipertensão, diabetes e colesterol elevado.
O reconhecimento rápido dos sintomas e o atendimento de emergência são fundamentais para reduzir os danos cerebrais e as possibilidades de sequelas. Quanto mais cedo o paciente recebe assistência adequada, maiores podem ser as chances de recuperação.