O mês de novembro é marcado pela campanha Novembro Azul, movimento internacional de conscientização sobre a saúde do homem, com atenção especial à prevenção e ao diagnóstico do câncer de próstata. A iniciativa busca incentivar os homens a deixarem o preconceito e o medo de lado, procurarem atendimento médico e adotarem hábitos que contribuam para uma vida mais saudável.
A campanha ganha importância diante da dimensão da doença no Brasil. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados aproximadamente 77,9 mil novos casos de câncer de próstata por ano no país no período de 2026 a 2028. O tumor é o segundo tipo de câncer mais frequente entre os homens brasileiros, ficando atrás apenas dos cânceres de pele não melanoma.
Um dos principais desafios é que a doença pode evoluir sem apresentar sintomas nas fases iniciais. Isso significa que o homem pode não perceber alterações no organismo enquanto o tumor ainda está localizado na próstata. Por esse motivo, a campanha procura ampliar o acesso à informação e estimular a procura pelos serviços de saúde diante de qualquer sinal suspeito.
Mais do que uma mobilização para lembrar os exames, o Novembro Azul também propõe uma mudança de comportamento: incluir a saúde na rotina, realizar consultas quando necessário e conversar com profissionais sobre os cuidados adequados para cada faixa etária e condição de saúde.
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O que é o câncer de próstata?
A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino localizada abaixo da bexiga e à frente do reto. Ela envolve a parte inicial da uretra, canal por onde a urina é eliminada, e tem como função produzir parte do líquido que compõe o sêmen.
O câncer surge quando células da próstata passam a se multiplicar de maneira descontrolada, formando um tumor. Em muitos casos, a evolução é lenta e a doença pode não representar uma ameaça à saúde durante a vida do paciente. Entretanto, existem tumores mais agressivos, capazes de crescer rapidamente e atingir outros órgãos, processo conhecido como metástase.
A idade é um dos principais fatores de risco. Segundo o Ministério da Saúde, nove em cada dez homens diagnosticados com câncer de próstata no Brasil têm mais de 55 anos. O histórico familiar também merece atenção, especialmente quando pai, irmão ou avô tiveram a doença antes dos 60 anos.
Outros fatores associados ao risco incluem sobrepeso e obesidade. Por isso, o acompanhamento da saúde e a adoção de hábitos saudáveis são medidas importantes ao longo da vida.
Doença pode não apresentar sintomas no início
Uma das características que tornam o câncer de próstata preocupante é a possibilidade de evolução silenciosa. Quando os sintomas aparecem, podem incluir dificuldade para urinar, demora para começar ou terminar a micção, diminuição da força do jato urinário e necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite.
Também pode ocorrer presença de sangue na urina. Em situações mais avançadas, a doença pode provocar dores nos ossos e outros sintomas relacionados à disseminação do tumor.
É importante destacar que essas alterações não significam necessariamente câncer. Problemas benignos, como o aumento da próstata e inflamações da glândula, também podem provocar sintomas semelhantes. Por isso, qualquer alteração persistente deve ser avaliada por um profissional de saúde, que poderá investigar a causa.
A ausência de sintomas, por outro lado, não significa que o homem esteja livre de riscos. É justamente por isso que a informação sobre fatores de risco e a avaliação individual são importantes.
PSA e toque retal: entenda os exames
Entre os procedimentos utilizados na investigação do câncer de próstata estão o exame de sangue PSA e o toque retal. O PSA mede a quantidade de Antígeno Prostático Específico, uma proteína produzida pela próstata. Alterações nos níveis podem indicar problemas na glândula, mas não significam necessariamente a presença de um tumor maligno. Doenças benignas também podem elevar esse indicador.
Já o toque retal permite que o médico avalie características da próstata, como tamanho, formato e textura, identificando possíveis alterações que precisam ser investigadas.
Quando os resultados apontam suspeita da doença, o especialista pode solicitar exames complementares. A confirmação do câncer é feita por meio de biópsia, procedimento em que pequenas amostras de tecido da próstata são retiradas para análise laboratorial.
É importante ressaltar que o Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento populacional de rotina com PSA ou toque retal para homens sem sintomas. A realização desses exames deve ser discutida individualmente com um profissional de saúde, considerando os possíveis benefícios, riscos e características de cada paciente.
A avaliação médica é especialmente importante para homens com sintomas ou fatores de risco, como idade mais avançada e histórico familiar da doença.