23 de outubro de 2026
CIDADE ASSUSTADA

Serial killer? Sobe para 13 corpos encontrados em SP

Por Redação/JP1 |
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
A Polícia Civil investiga ocorrências em diferentes regiões da capital paulista, autoridades dizem não haver evidências conclusivas de que as mortes tenham ligação entre si.

A descoberta de 13 corpos em diferentes pontos da cidade de São Paulo, entre 5 de setembro e 22 de outubro, mobiliza as forças de segurança e levanta questionamentos sobre as circunstâncias das mortes. Até o momento, as autoridades não identificaram elementos suficientes para confirmar uma conexão entre os casos, que apresentam características distintas.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) não aponta, por enquanto, a atuação de um único criminoso responsável pelas ocorrências. A avaliação considera que os registros aconteceram em bairros diferentes e apresentam particularidades que precisam ser analisadas individualmente.

O caso mais recente contabilizado ocorreu na noite de quinta-feira (22), na rua Paulo da Silva, no bairro Rio Pequeno, zona oeste da capital. De acordo com a Polícia Militar, o corpo foi localizado por volta das 21h20, com as mãos amarradas e um saco preto cobrindo a cabeça. A vítima apresentava sinais que levantaram suspeitas de tortura.

Polícia apura possíveis ligações entre as mortes

A Polícia Civil trabalha com diferentes linhas de investigação, entre elas desavenças locais e vinganças. Uma das hipóteses avaliadas envolve crimes motivados por conflitos entre grupos criminosos, nos quais vítimas são sequestradas e executadas após supostos julgamentos informais.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades, há suspeitos identificados em parte das ocorrências, e pedidos de prisão já foram encaminhados à Justiça. Os investigadores, no entanto, aguardam resultados de exames periciais para esclarecer as circunstâncias dos crimes e verificar possíveis semelhanças.

Em manifestação nas redes sociais, o secretário estadual da Segurança Pública afirmou que, até aquele momento, não haviam sido encontrados indícios de que todas as mortes tivessem sido cometidas pela mesma pessoa. O delegado-geral também declarou que eventuais pontos em comum estão sendo analisados.

As autoridades avaliam motivações diferentes para os episódios. Entre as possibilidades consideradas está a existência de vítimas envolvidas em conflitos relacionados ao tráfico de drogas em outros estados.


VEJA MAIS:



Corpos apresentavam sinais de violência

Algumas das ocorrências investigadas têm características que chamaram a atenção dos policiais. Em diferentes casos, os cadáveres apresentavam ferimentos provocados por disparos de arma de fogo ou outros sinais de violência. Também houve registros de corpos encontrados dentro de sacos plásticos, cobertos por lençóis ou envoltos em materiais presos com cordas.

Na quarta-feira (21), policiais militares encontraram partes de um corpo feminino dentro de sacos na região da marginal do Tietê, próximo ao Parque Novo Mundo, na zona norte. A descoberta ocorreu durante uma ocorrência envolvendo um homem que teria atirado contra os agentes e morreu após a reação policial.

Depois do confronto, os policiais fizeram buscas na área e localizaram os restos mortais. A Polícia Civil investiga a possível relação entre o homem morto e o caso, mas não havia confirmação imediata de que ele fosse o responsável pela morte da vítima.

Na mesma quarta-feira, outro corpo foi encontrado na avenida Coronel Sezefredo Fagundes, também na zona norte. A vítima foi identificada como um homem de 43 anos que estava desaparecido desde o dia 16 de outubro.

Já na segunda-feira (12), um homem foi localizado morto no bairro do Belenzinho, na zona leste. O corpo estava enrolado em um cobertor preso por cordas, e a vítima apresentava ferimentos de tiros na cabeça, coberta por um saco plástico. No bolso da roupa, os policiais encontraram uma autorização para refeição emitida por um centro de acolhida da capital.

Na manhã de quinta-feira (22), um cadáver em avançado estado de decomposição também foi encontrado às margens do rio Tietê, na altura da ponte dos Remédios, na zona oeste. Esse caso, porém, não foi incluído na contagem das mortes investigadas como suspeitas, pois, segundo a polícia, não havia indícios de violência.

Número de homicídios apresenta queda

Apesar da sequência de descobertas, os dados oficiais de homicídios dolosos na capital apontam redução em comparação com o ano anterior. Entre janeiro e agosto, São Paulo registrou 304 vítimas de homicídio com intenção de matar. No mesmo intervalo do ano passado, foram contabilizadas 350 vítimas.

Os números, entretanto, não permitem comparar diretamente os homicídios registrados com a quantidade de corpos encontrados em vias públicas. As estatísticas mensais da Secretaria da Segurança Pública não detalham quantas vítimas foram localizadas em locais abertos, o que impede estabelecer uma relação direta entre os indicadores.

Especialista avalia possível mudança na dinâmica criminosa

O professor da Fundação Getulio Vargas e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Rafael Alcadipani, afirmou que a localização de cadáveres em São Paulo não é um fenômeno novo. Para ele, uma das questões a serem observadas é a possível mudança na forma como grupos criminosos lidam com a ocultação de corpos.

O especialista destacou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) teria adotado, em determinados contextos, práticas de ocultação de cadáveres em cemitérios clandestinos. A eventual mudança dessa dinâmica, com corpos deixados em locais públicos, é uma possibilidade que precisa ser avaliada, sem que isso represente confirmação de envolvimento da facção nos casos recentes.

As investigações seguem sob responsabilidade do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). A Polícia Civil aguarda os laudos da Polícia Técnico-Científica para esclarecer as circunstâncias das mortes e determinar se existe alguma relação entre as ocorrências.