O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, teria encomendado uma garrafa de uísque avaliada em aproximadamente R$ 500 mil para presentear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2024. A informação foi publicada pela revista Veja nesta quinta-feira (22), com base em mensagens extraídas do celular do empresário, apreendido pela Polícia Federal (PF).
De acordo com a publicação, em 29 de outubro de 2024, Vorcaro pediu a um assistente que localizasse uma garrafa do Macallan 1945, um uísque escocês raro. A bebida era do mesmo ano de nascimento de Lula.
Em uma das mensagens, o banqueiro teria escrito: “Preciso dar pro Lula”. Depois de receber a imagem de uma garrafa oferecida por cerca de 80 mil euros — valor equivalente a aproximadamente R$ 500 mil na época —, Vorcaro teria autorizado a compra. Segundo a reportagem, o produto foi enviado de Dubai para o Brasil.
A encomenda teria ocorrido enquanto o então dono do Banco Master buscava expandir os negócios da instituição financeira e estreitar relações com integrantes do governo federal. A informação sobre a compra, por si só, não comprova que a bebida tenha sido efetivamente entregue ao presidente.
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MENSAGENS SOBRE O PRESENTE
Segundo a Veja, em janeiro de 2025, o advogado Walfrido Warde, que atuava nos interesses de Vorcaro, teria informado ao banqueiro que Lula agradeceu pelo uísque e enviou um abraço.
A troca de mensagens citada pela revista ocorre após uma reunião entre Vorcaro e o presidente, realizada em 4 de dezembro de 2024, no Palácio do Planalto. O encontro aconteceu fora da agenda oficial e teria sido articulado com a participação de Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola, que ocupava o cargo de chefe de gabinete da Presidência.
As mensagens também indicariam que Warde conversou previamente com Vorcaro sobre a reunião. Em 29 de novembro, o advogado teria informado a data e o horário do encontro e dito que precisava alinhar com o banqueiro o que seria abordado na conversa.
No dia da reunião, Warde teria orientado Vorcaro a falar abertamente sobre seus interesses e a expor sua posição ao presidente. Em entrevistas, Lula afirmou que garantiu ao banqueiro que a situação do Banco Master seria tratada tecnicamente.
RELAÇÃO COM O BANCO MASTER
Naquele período, Vorcaro buscava ampliar as operações do Banco Master e também contratou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega como consultor. As iniciativas ocorreram em meio às articulações do empresário para expandir os negócios da instituição financeira.
O caso ganhou relevância no contexto das investigações sobre o Banco Master, que apuram suspeitas de fraudes financeiras e operações envolvendo a instituição e o Banco de Brasília (BRB).
A Polícia Federal conduz a Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas à emissão de títulos de crédito falsos e a outras operações financeiras. As apurações buscam esclarecer a atuação dos envolvidos e a dimensão das possíveis irregularidades.
PROPOSTA DE DELAÇÃO
Em uma proposta de colaboração premiada, a defesa de Vorcaro relatou supostos pagamentos a intermediários ligados ao governo com o objetivo de obter acesso a recursos de fundos de pensão de empresas estatais. A proposta, contudo, foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
As alegações apresentadas no âmbito da tentativa de delação não devem ser tratadas como fatos comprovados. Da mesma forma, as informações sobre a encomenda do uísque e as mensagens atribuídas aos envolvidos precisam ser consideradas à luz do que foi divulgado pela revista e do andamento das investigações.
O episódio acrescenta novos elementos às informações sobre as relações de Vorcaro com integrantes do meio político durante o período em que buscava ampliar a atuação do Banco Master. A eventual entrega do presente, as circunstâncias da compra e os objetivos da aproximação devem ser diferenciados dos fatos oficialmente confirmados pelas autoridades.