22 de outubro de 2026
ALERTA BANCÁRIO

Golpe da falsa central bancária: como evitar o prejuízo

Por Alsyon Rodrigues |
| Tempo de leitura: 3 min
Imagem gerada por IA
Criminosos se passam por funcionários de bancos, simulam compras suspeitas e podem induzir vítimas a transferir dinheiro ou fornecer senhas.

Uma ligação informando sobre uma compra suspeita ou uma suposta invasão de conta pode ser o início de um golpe financeiro. Na fraude conhecida como golpe da falsa central bancária, criminosos se apresentam como funcionários de instituições financeiras e utilizam argumentos convincentes para levar clientes a revelar informações sigilosas ou realizar operações que favorecem os próprios golpistas.

A abordagem costuma explorar o medo de perder dinheiro. O criminoso afirma que identificou uma movimentação desconhecida, uma tentativa de clonagem do cartão ou uma irregularidade na conta. Em seguida, oferece ajuda para resolver o problema e orienta a vítima a seguir determinados procedimentos.

Segundo alertas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), os fraudadores também utilizam gravações semelhantes às de centrais telefônicas verdadeiras, mensagens de texto e recursos tecnológicos capazes de mascarar o número que aparece na tela do celular. Dessa forma, a ligação pode parecer legítima, mesmo quando parte de uma quadrilha.

O Banco Central recomenda que clientes desconfiem de contatos em que supostos funcionários pedem acesso ao aplicativo bancário, envio de informações confidenciais ou realização de procedimentos para cancelar operações suspeitas.

Como funciona o golpe da falsa central

Em uma das abordagens mais comuns, a vítima recebe uma ligação ou mensagem sobre uma compra de valor elevado que supostamente teria sido realizada com seu cartão. Caso diga que não reconhece a operação, ela é direcionada a um falso atendente, que afirma pertencer ao setor de segurança do banco.

Durante a conversa, o criminoso utiliza termos técnicos e demonstra conhecer informações sobre a instituição financeira. A intenção é transmitir credibilidade e convencer a pessoa de que existe um risco imediato para o dinheiro depositado na conta.

Depois de conquistar a confiança da vítima, o golpista pode solicitar senhas, códigos de autenticação ou dados bancários. Em outras situações, orienta a instalação de aplicativos que permitem acesso remoto ao celular ou induz a pessoa a realizar transferências sob a justificativa de proteger o saldo.

Uma variação envolve o chamado golpe do falso gerente. Nesse caso, o criminoso utiliza o nome de um funcionário verdadeiro ou informações sobre a agência da vítima para dar aparência de legitimidade ao contato.

Também existem mensagens que informam um telefone supostamente pertencente à central de atendimento. Ao ligar para o número indicado, a vítima acaba conversando com os próprios golpistas, que simulam o atendimento oficial.

Transferência para uma conta segura é sinal de alerta

Uma das estratégias utilizadas pelos criminosos consiste em afirmar que a conta bancária está comprometida e que o dinheiro precisa ser transferido para uma conta segura até que o problema seja resolvido.

A orientação é não realizar a operação. Bancos não solicitam transferências para proteger o saldo dos clientes, nem pedem que senhas sejam informadas por telefone para cancelar fraudes.

O mesmo cuidado vale para pedidos de instalação de aplicativos, compartilhamento de códigos recebidos por SMS e acesso a links enviados durante a ligação. Essas ações podem permitir que os criminosos obtenham informações pessoais, assumam o controle do aparelho ou realizem transações sem autorização.

Outro ponto importante é que o número exibido na tela não comprova a identidade de quem está ligando. Recursos tecnológicos podem fazer uma chamada parecer originada de um telefone associado à instituição financeira.


VEJA MAIS:



Como identificar uma ligação suspeita

Alguns comportamentos devem acender o alerta durante um contato que se apresenta como atendimento bancário:

A recomendação é encerrar o contato e procurar o banco por meios oficiais. O cliente pode utilizar o aplicativo da instituição ou consultar o telefone divulgado no site oficial e no cartão bancário.

Por segurança, é indicado fazer a ligação de outro aparelho quando possível, especialmente se houver suspeita de que o contato anterior tenha permanecido conectado.

O que fazer se cair no golpe

Quem percebe que forneceu dados ou realizou uma transação após uma abordagem suspeita deve agir rapidamente. O primeiro passo é entrar em contato com o banco pelos canais oficiais, informar o ocorrido e solicitar o bloqueio de acessos, cartões ou operações que possam estar comprometidos.

Se houve uma transferência por Pix, a vítima deve pedir à instituição financeira que analise a possibilidade de devolução pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED). O procedimento permite a análise de transações relacionadas a fraudes, mas não garante a recuperação do dinheiro.

Também é importante alterar senhas que possam ter sido expostas, verificar as movimentações recentes da conta e guardar registros da ligação, mensagens, números utilizados e comprovantes de pagamento.

O registro de um boletim de ocorrência ajuda a documentar o caso e pode contribuir para a investigação. Se o problema não for resolvido, o consumidor também pode procurar o Procon ou registrar reclamação nos canais disponíveis do Banco Central, conforme a situação.

Prevenção começa com a desconfiança

O golpe da falsa central bancária utiliza principalmente a manipulação psicológica. Ao criar uma situação de urgência e apresentar uma solução aparentemente simples, o criminoso tenta fazer com que a vítima siga instruções sem verificar a origem do contato.

Por isso, a principal medida de proteção é interromper a conversa sempre que houver solicitação de senha, transferência ou instalação de aplicativo. Em vez de continuar o atendimento recebido, o cliente deve iniciar um novo contato pelos canais oficiais da instituição.

A verificação independente pode evitar que uma suposta tentativa de proteção se transforme em prejuízo financeiro. Em caso de dúvida, não faça nenhuma operação até confirmar diretamente com o banco se existe, de fato, algum problema na conta.