20 de outubro de 2026
POLÊMICA

Prova do iPhone vira alvo de investigação e pode gerar punições

Por Da Redação |
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Desafio do iPhone em Piracicaba durou 52 horas e pode resultar em multas e outras sanções às lojas organizadoras; caso é investigado após participante precisar de atendimento médico.

As lojas responsáveis pelo “Desafio do iPhone”, realizado em Piracicaba, podem sofrer sanções administrativas após a promoção de uma competição de resistência com duração de 52 horas, sem autorização prévia do Ministério da Fazenda. A ação, que ofereceu um iPhone 17 Pro Max como prêmio, é investigada pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) e pela Polícia Civil de São Paulo, após um participante passar mal e precisar de atendimento médico.

De acordo com a Secretaria de Prêmios e Apostas, as empresas IPlanet e Speedmob, responsáveis pela organização da dinâmica, estão sujeitas a penalidades caso as irregularidades sejam confirmadas ao fim do processo administrativo. Entre as possíveis punições estão advertência, cassação da autorização, proibição de realizar novas promoções por até dois anos e multa de até 100% do valor total dos prêmios oferecidos.

A investigação busca apurar as circunstâncias em que a competição foi realizada e verificar o cumprimento das regras aplicáveis à distribuição gratuita de prêmios como estratégia de propaganda. Segundo o Ministério da Fazenda, ações desse tipo, incluindo sorteios, concursos, vale-brindes e operações semelhantes, exigem autorização prévia do órgão federal.

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Como funcionava o desafio

O “Desafio do iPhone” começou na manhã de sábado (10) e terminou na segunda-feira (12), após 52 horas de competição. Cerca de 30 participantes precisavam permanecer em pé, com as mãos encostadas na lataria de uma caminhonete. O vencedor seria aquele que resistisse por mais tempo sem retirar as mãos do veículo ou dormir.

A dinâmica foi transmitida pelas redes sociais e atraiu a atenção do público. Durante a disputa, as condições para atender às necessidades básicas dos competidores foram limitadas. O acesso ao banheiro, por exemplo, foi permitido apenas uma vez, com duração máxima de três minutos, após uma votação entre os próprios participantes. Já a liberação de água e comida dependia da decisão do organizador.

A vencedora foi a influenciadora digital Laís Lima, que recebeu como prêmio um iPhone 17 Pro Max. O segundo colocado, o vendedor Nilson Sousa, de 25 anos, permaneceu na disputa durante as 52 horas e precisou ser socorrido após deixar a competição.

Participante foi socorrido pelo Samu

Nilson Sousa recebeu atendimento de uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) logo após encerrar sua participação. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, ele havia atingido seu limite físico e foi encaminhado a uma unidade de saúde, onde recebeu tratamento com soro e hidratação.

O episódio levou à abertura de uma investigação pela Polícia Civil de São Paulo. O caso foi registrado como “perigo para a vida ou saúde de outrem”, e a apuração também considera a participação de um adolescente de 17 anos na competição.

A investigação policial busca esclarecer se as condições impostas aos participantes representaram risco à integridade física e à saúde dos competidores, além de verificar as circunstâncias em que a atividade foi organizada.

Regras exigem autorização e medidas de segurança

Segundo a Subsecretaria de Fiscalização da Secretaria de Prêmios e Apostas, competições desse tipo devem seguir diretrizes específicas de segurança para proteger os participantes. Entre as medidas mencionadas pelo órgão estão a definição de um limite de duração para a prova, a assinatura de um termo de compromisso e a presença permanente de uma equipe médica ou de emergência, como o Corpo de Bombeiros.

De acordo com o Ministério da Fazenda, o desafio realizado em Piracicaba não contava com uma equipe médica de suporte no local nem com um limite de tempo previamente estabelecido para a competição.

A autorização federal é necessária para a distribuição gratuita de prêmios com finalidade publicitária, conforme as regras aplicáveis a essas promoções. O órgão orienta que consumidores consultem a relação pública de ações autorizadas, disponível em seu site oficial, antes de participar de sorteios e iniciativas semelhantes.

Prefeitura aponta falta de licença específica

A Prefeitura de Piracicaba informou que o estabelecimento comercial possuía alvará de funcionamento regular, mas não havia solicitado licença para a realização do evento de resistência.

Segundo a administração municipal, o representante apresentou uma autodeclaração de evento de baixo risco, válida exclusivamente para sábado (10), das 10h às 22h. A informação municipal diz respeito à documentação apresentada para a atividade, enquanto a investigação federal apura a necessidade de autorização para a promoção com distribuição de prêmio.

O que diz a organização

Em nota, Lucas Barbosa, proprietário das lojas e organizador do desafio, afirmou que a Prefeitura de Piracicaba expediu uma autorização para instalação temporária vinculada ao evento, referente ao processo municipal nº 171.114/2026.

O responsável declarou ainda que permanece à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos solicitados.

O evento foi promovido conjuntamente por uma loja de celulares e uma loja de motos elétricas, na Avenida Armando de Salles Oliveira, em Piracicaba.

Apesar das dificuldades físicas e psicológicas relatadas durante a competição, participantes também mencionaram a formação de novas amizades e a possibilidade de conquistar objetivos pessoais por meio da experiência.

As possíveis sanções contra as empresas dependerão da conclusão do processo administrativo. Paralelamente, a Polícia Civil continua investigando as circunstâncias da competição e os riscos aos quais os participantes podem ter sido expostos.