13 de outubro de 2026
LUTO NA MÚSICA

Morre Netinho, ícone do axé: entenda a doença que afetou o cantor

Por Da Redação |
| Tempo de leitura: 5 min
Reprodução / Redes Sociais
Artista de 60 anos enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B; doença afeta o sistema imunológico, pode apresentar diferentes sintomas e exige tratamento específico para cada subtipo.

Artista de 60 anos enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B; doença afeta o sistema imunológico, pode apresentar diferentes sintomas e exige tratamento específico para cada subtipo.

O cantor Netinho, conhecido nacionalmente por sucessos como “Milla” e “Beijo na Boca”, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador, na Bahia. O artista enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, câncer que afeta o sistema linfático e que voltou a se manifestar após o tratamento iniciado em 2025.

Segundo informações divulgadas pela assessoria do cantor, a doença evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos. Netinho estava internado no Hospital Aliança Star, na capital baiana.

O caso chama a atenção para um grupo de cânceres que pode atingir diferentes partes do organismo e apresentar comportamentos bastante distintos. Embora alguns tipos evoluam lentamente, outros são agressivos e exigem tratamento imediato.

Mas o que é o linfoma não Hodgkin, quais são os sinais de alerta e como a doença é tratada?

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O que é o linfoma não Hodgkin?

O linfoma não Hodgkin é um tipo de câncer que se desenvolve nos linfócitos, células de defesa do organismo que fazem parte do sistema imunológico. Essas células são encontradas no sistema linfático, uma rede de vasos, tecidos e órgãos que ajuda o corpo a combater infecções.

A doença surge quando determinados linfócitos sofrem alterações e passam a se multiplicar de maneira descontrolada. Com isso, podem formar tumores nos gânglios linfáticos e também atingir órgãos como o baço, a medula óssea e outras regiões do corpo.

De acordo com informações do Instituto Nacional de Câncer (Inca), existem dezenas de subtipos de linfoma não Hodgkin. Eles são classificados de acordo com as células envolvidas e suas características, o que ajuda a determinar a evolução esperada e o tratamento mais adequado.

A doença pode atingir pessoas de diferentes idades, embora alguns subtipos sejam mais frequentes entre adultos e idosos.

Quais são os sintomas do linfoma não Hodgkin?

Um dos sinais mais conhecidos é o aumento dos linfonodos, popularmente chamados de gânglios ou ínguas. Eles podem ser percebidos como caroços, geralmente indolores, no pescoço, nas axilas ou na virilha.

Entretanto, os sintomas variam conforme o subtipo do câncer e a região do organismo afetada. Entre os sinais que podem ocorrer estão:

Esses sintomas não significam necessariamente a presença de câncer. Infecções e outras condições também podem provocar manifestações semelhantes.

Quando um caroço persiste, aumenta de tamanho ou aparece acompanhado de febre prolongada, suor noturno intenso ou perda de peso inexplicada, é importante procurar avaliação médica.

Como é feito o diagnóstico?

A investigação começa com a avaliação clínica e pode incluir exames de sangue e exames de imagem, como tomografia e PET-CT, conforme a necessidade.

A confirmação do linfoma depende, em geral, da biópsia de um gânglio ou de outro tecido suspeito. O material é analisado em laboratório para identificar as características das células e definir o subtipo da doença.

Essa etapa é fundamental porque não existe um único tratamento válido para todos os linfomas não Hodgkin.

Após a confirmação, os médicos avaliam a extensão da doença, o estado geral do paciente e outros fatores para definir a estratégia terapêutica.

Quais são os tratamentos disponíveis?

O tratamento depende do subtipo, da velocidade de evolução do câncer, da extensão da doença e das condições clínicas do paciente.

Entre as opções utilizadas estão:

Em alguns linfomas de evolução lenta, pode ser indicada inicialmente a observação médica, sem tratamento imediato. Já os subtipos agressivos geralmente exigem intervenção rápida.

A possibilidade de controle ou cura varia significativamente. Por isso, não é possível estabelecer um único percentual de sucesso que represente todos os pacientes com linfoma não Hodgkin.

O câncer pode voltar depois do tratamento?

Sim. Em alguns pacientes, o linfoma pode retornar após um período em que a doença deixou de apresentar sinais detectáveis. Esse fenômeno é chamado de recidiva.

A remissão significa que os exames não identificam sinais da doença ou demonstram uma redução importante de sua atividade, conforme os critérios médicos utilizados. Isso não significa necessariamente que o câncer nunca mais poderá aparecer.

Quando ocorre uma recidiva, a equipe médica reavalia o subtipo, o tempo transcorrido desde o tratamento anterior, as terapias já utilizadas e as condições clínicas do paciente.

Dependendo do caso, podem ser indicados novos esquemas de medicamentos, imunoterapia, terapias-alvo, CAR-T ou transplante de células-tronco hematopoéticas.

O tempo entre o tratamento inicial e a recaída pode influenciar as decisões médicas, mas não determina sozinho o desfecho. Cada situação precisa ser avaliada individualmente.

Qual é a diferença entre linfoma de Hodgkin e não Hodgkin?

Embora ambos sejam cânceres do sistema linfático, eles apresentam diferenças nas características das células e na classificação da doença.

No linfoma de Hodgkin, a identificação de células tumorais características, chamadas células de Reed-Sternberg, é um dos elementos utilizados para estabelecer o diagnóstico.

Já o linfoma não Hodgkin reúne um conjunto mais amplo de doenças, com diferentes tipos de células, ritmos de progressão e respostas aos tratamentos.

Por isso, a biópsia e os exames complementares são essenciais para distinguir os dois grupos e identificar precisamente a doença.

Netinho descobriu o câncer em 2025

O cantor revelou o diagnóstico de linfoma não Hodgkin em março de 2025. Durante o tratamento, compartilhou informações sobre sua recuperação com os fãs e chegou a apresentar melhora clínica.

Em 2026, porém, a doença voltou a se manifestar. Netinho retomou o tratamento e precisou ser internado em Salvador, onde permaneceu sob cuidados médicos.

A morte do artista, confirmada nesta terça-feira, encerra uma trajetória marcada por sucessos que ajudaram a popularizar o axé music em todo o país.

Além do impacto de sua carreira, o caso chama a atenção para a importância de compreender os diferentes tipos de linfoma, reconhecer sinais persistentes e buscar avaliação médica diante de sintomas suspeitos.