A queda dos juros futuros registrada após o primeiro turno das eleições de 2026 pode representar uma redução de R$ 65,8 bilhões no custo da dívida pública, caso o novo patamar das taxas se mantenha. O movimento ocorreu na segunda-feira (5), primeiro pregão após a votação, quando as taxas projetadas para os próximos quatro anos recuaram cerca de 1 ponto percentual, ou 100 pontos-base.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois candidatos disputarão o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
A estimativa de impacto sobre a dívida é baseada em cálculo do Banco Central que aponta quanto a dívida pública pode diminuir diante de uma redução de 1 ponto percentual na taxa Selic. O dado consta no relatório de Estatísticas Fiscais referente a agosto, publicado em 30 de setembro.
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MERCADO REAGE AO RESULTADO
Os juros futuros representam as taxas que o mercado espera para os próximos anos. Um dos principais indicadores é o DI futuro, negociado na B3 e que acompanha de perto as expectativas para a Selic.
Quando essas taxas caem, o governo tende a conseguir refinanciar a dívida pagando menos aos investidores. Isso ocorre porque os compradores dos títulos podem exigir uma remuneração menor quando avaliam que o cenário econômico apresenta menos riscos.
Segundo a análise publicada pelo Poder360, o mercado passou a avaliar que um eventual governo de Flávio Bolsonaro poderia apresentar maior disciplina nas contas públicas, o que abriria espaço para uma redução dos juros pelo Banco Central.
Uma Selic menor também pode favorecer empresas e consumidores, ao reduzir o custo do crédito. Com financiamento mais barato, empresas podem ampliar investimentos e contratações, enquanto a melhora das expectativas pode contribuir para a valorização das companhias na Bolsa.
BOLSA TAMBÉM REGISTRA ALTA
Além da queda dos juros futuros, o mercado acionário reagiu positivamente após o primeiro turno. O Ibovespa fechou a segunda-feira em 207 mil pontos, atingindo um recorde, enquanto as empresas listadas na Bolsa ganharam quase R$ 500 bilhões em valor de mercado.
A movimentação indica uma mudança nas expectativas dos investidores em relação ao cenário econômico. A possibilidade de um governo considerado mais comprometido com o equilíbrio fiscal pode reduzir o custo de capital e aumentar a confiança do mercado.
ECONOMIA AINDA DEPENDE DAS EXPECTATIVAS
Apesar da reação positiva, os efeitos sobre a dívida pública não são automáticos. A economia projetada de R$ 65,8 bilhões depende da manutenção do atual patamar dos juros.
Caso as expectativas relacionadas às contas públicas ou à inflação piorem, os juros futuros podem voltar a subir. Da mesma forma, uma melhora adicional das perspectivas fiscais pode provocar novas quedas nas taxas.
O valor estimado de R$ 65,8 bilhões também chama atenção quando comparado a outras despesas previstas para 2027. A cifra equivale a quase três vezes o custo estimado do reajuste de 15,04% do Bolsa Família, calculado em R$ 22,7 bilhões, e supera o impacto estimado do aumento de R$ 120 no salário mínimo, de R$ 54,6 bilhões.
Assim, a reação do mercado após o primeiro turno trouxe uma perspectiva de redução do custo da dívida pública, mas o resultado efetivo dependerá da trajetória dos juros e das expectativas econômicas nos próximos anos.